Sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de junho de 2023
As buscas pelos termos “vacina da Pfizer” e “Anvisa” dispararam no Google nos últimos dias. Isso acontece porque postagens nas redes sociais associam a vacina a problemas no coração.
Publicações com informações enganosas e falsas afirmam que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva teria excluído alertas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sobre o risco de miocardite no processo de pós-vacinação – o que não aconteceu.
A miocardite é uma inflamação no tecido muscular do coração e a pericardite é uma inflamação na membrana que envolve o órgão.
Carisi Anne Polanczyk, coordenadora do Conselho de Normatizações e Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), afirma que toda e qualquer vacina tem um grau de efeito colateral, mas no caso das vacinas de RNA mensageiro (caso da Pfizer) e a relação com a miocardite, não há motivo para preocupação.
“O risco aumentado é um fato, mas não há comparação com os benefícios trazidos pela vacinação. Estudos apontam que para cada 100 mil vacinados, são identificados 4 a 5 casos, sendo 99% deles leves”, afirma.
Em comunicado divulgado em março deste ano e que segue sendo válido, segundo o Ministério da Saúde disse ao Valor, o governo federal reforçou que, “portanto, a recomendação pela continuidade da vacinação está mantida, uma vez que, até o momento, os benefícios dessas vacinas superam os riscos”.
O posicionamento da Anvisa é seguido pela SBC, que também publicou, no ano passado, uma nota sobre a relação dos casos pós-vacina:
“As vacinas contra COVID-19 são seguras e seus benefícios superam em larga escala os riscos de efeitos adversos relacionados. Os principais efeitos adversos cardiovasculares associados a essas vacinas são a VITT e a miocardite. Ao passo em que o primeiro está associado às vacinas que utilizam vetor de adenovírus, o segundo é observado entre as vacinas com tecnologia de RNAm (RNA mensageiro)”.
Com relação ao público mais afetado pelo efeito, Carisi aponta também que o grupo mais afetado é: homem, entre 16 e 36 anos.
Segundo números da Anvisa, até 31 de dezembro de 2022 foram administradas 501.573.962 doses de vacinas contra covid-19 no país e foram notificados 154 casos de miocardite após a aplicação da dose nesse período. Não houve nenhum óbito em decorrência da vacina.
Outro ponto levantado pela médica é que as duas condições também podem decorrer de outros vírus, caso do influenza, que causa a gripe. Inclusive, estudos afirmam que a miocardite é mais comum em quem teve a doença do que quem tomou a vacina.
Ao Valor, a Pfizer afirmou que já distribuiu mais de 4,6 bilhões de doses no mundo e que, até o momento, “não há qualquer alerta de segurança ou preocupação”, com o risco de miocardite pós-vacinação se mantendo “raro”. As informações são do jornal Valor Econômico.
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