Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 16 de outubro de 2015
O grau de investimento é um selo de qualidade que assegura aos investidores um menor risco de calotes. A partir da nota de risco que determinado país recebeu, os investidores podem avaliar se a possibilidade de ganhos (por exemplo, com juros maiores) compensa o risco de perder o capital investido com a instabilidade econômica local. O Brasil conquistou o grau de investimento pelas agências internacionais Fitch Ratings e Standard & Poor’s em 2008. Em 2009, conquistou a classificação pela Moody’s.
Agências internacionais
Alguns fundos de pensão internacionais, de países da Europa ou os Estados Unidos, por exemplo, seguem a regra de que só se pode investir em títulos de países que estão classificados com grau de investimento por agências internacionais. Por esse motivo, essa nota permite que o país receba recursos de investidores interessados em aplicar seu dinheiro naquele local.
“O propósito principal das agências é atribuir uma nota que indique ao mercado financeiro a possibilidade ou o risco de que o emissor de determinada dívida venha a não cumprir com o compromisso de dívida, ou seja, venha a dar um calote”, disse Bruno De Conti, do Centro de estudos de Conjuntura Política Econômica da Unicamp.
Brasil pode perder
As agências de risco avaliam a situação econômica do país para determinar se o selo de bom pagador é apropriado ou não. Por isso, indicadores ruins e ambiente econômico de incertezas em um país podem gerar uma tendência de rebaixamento da nota.
No caso do Brasil, o mercado teme que o País, depois do esperado rebaixamento pelas agências de avaliação de risco Moody’s e Fitch,
receba perspectiva negativa de alguma delas. Após cortar a nota do Brasil, a Moody‘s colocou o País em perspectiva estável.
Judas Tadeu Grassi Mendes, da EBS Business School, apontou que o principal problema é o conjunto de indicadores econômicos negativos. “Todos os indicadores estão negativos. O governo tinha prometido 1,2% [do PIB – Produto Interno Bruto] de superávit primário, agora está praticamente acenando que será negativo”, disse ele, apontando o anúncio de que o governo decidiu revisar a meta de economia para pagar os juros da dívida.
“Não está havendo cortes efetivos”, disse Mendes. “Todo esse ajuste fiscal é muito mais de aumento de juros que corte de despesa. A Selic (a taxa básica de juros) mais alta significa que o governo se enterrará mais ainda em juros. O número de desempregados é crescente. A inflação está no dobro da meta, em 9% quando deveria ser 4,5%. Ou seja não há um único indicador razoavelmente favorável, pelo contrário.”
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