Terça-feira, 14 de abril de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Mundo Saiba o que é o Hamas, grupo palestino que enfrenta Israel

Compartilhe esta notícia:

A realidade política que se desenha por trás do ataque do Hamas está muito além das análises realizadas nestes primeiros dias. (Foto: Anadolu via BBC)

O Hamas é o maior dentre diversos grupos de militantes islâmicos da Palestina.

O nome em árabe é um acrônimo para Movimento de Resistência Islâmica, que teve origem em 1987 após o início da primeira intifada palestina, ou levante, contra a ocupação israelense da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Em seu estatuto, o Hamas se comprometeu com a destruição de Israel.

O grupo inicialmente tinha o duplo propósito de implementar uma luta armada contra Israel, liderada por seu braço militar, as Brigadas Izzedine al-Qassam, e de oferecer programas de bem-estar social aos palestinos.

Mas desde 2005, quando Israel retirou tropas e colonos de Gaza, o Hamas também se envolveu no processo político palestino. Venceu as eleições legislativas em 2006, pouco antes de reforçar seu poder no ano seguinte, derrubando o movimento rival Fatah, do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.

Desde então, militantes em Gaza travaram três guerras com Israel, que junto com o Egito manteve um bloqueio na região para isolar o Hamas e pressioná-lo a interromper os ataques.

Nessa nova escala do conflito em 2021, o Hamas e Israel voltaram a lançaram mísseis depois que um grupo de palestinos foi impedido de entrar no complexo da mesquita Al-Aqsa em Jerusalém, um dos locais mais reverenciados pelo islamismo, no dia mais sagrado para o Islã.

O complexo também é o local mais sagrado do judaísmo, conhecido como Monte do Templo, e é um foco frequente de confrontos entre israelenses e palestinos. Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como a futura capital de um Estado independente.

O Hamas como um todo, ou em alguns casos sua ala militar, é classificado como um grupo terrorista por Israel, Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido, bem como outras potências globais.

Em sua fundação, o Estatuto do Hamas definiu a Palestina histórica, incluindo a atual Israel, como terra islâmica e exclui qualquer paz permanente com o Estado judeu.

O documento também ataca os judeus como povo, fortalecendo acusações de que o Hamas é antissemita.

Em 2017, o grupo produziu um novo documento de política que suavizou algumas de suas posições declaradas e usou uma linguagem mais moderada.

Não houve reconhecimento de Israel, mas ele aceitou formalmente a criação de um Estado palestino provisório em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, algo que é conhecido como linhas pré-1967.

O documento também enfatiza que a luta do Hamas não é contra os judeus, mas contra “os agressores sionistas de ocupação”. Em resposta, Israel disse que o grupo estava “tentando enganar o mundo”.

Atentados suicidas

O Hamas ganhou destaque após a primeira intifada como o principal grupo palestino contrário aos acordos de paz assinados no início da década de 1990 entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), o órgão que representa a maioria dos palestinos.

Apesar das diversas operações israelenses contra o Hamas e das medidas repressivas da Autoridade Palestina (o principal órgão governante dos palestinos), o Hamas descobriu que tinha um “poder de veto” eficaz sobre o processo, lançando ataques suicidas. O grupo lutava contra a ocupação israelense da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.

Em fevereiro e março de 1996, realizou vários atentados suicidas em ônibus, matando quase 60 israelenses, em retaliação pelo assassinato, em dezembro de 1995, do fabricante de bombas do Hamas, Yahya Ayyash.

Para muitos, esses atentados foram responsáveis por afastar israelenses do processo de paz e levar Benjamin Netanyahu, um ferrenho oponente dos chamados Acordos de Oslo, ao poder naquele ano.

No mundo pós-Acordos de Oslo, mais particularmente após o fracasso da cúpula do presidente americano Bill Clinton em Camp David em 2000 e a segunda intifada que ocorreu logo em seguida, o Hamas ganhou poder e influência enquanto Israel reprimia a Autoridade Palestina, acusada de patrocinar violentos ataques contra o território israelense.

No campo de políticas públicas, o Hamas implementou e geriu diversas clínicas e escolas, que atenderam palestinos que consideravam corrupta e ineficiente a Autoridade Palestina, dominada pela facção Fatah.

Muitos palestinos aplaudiram a onda de ataques suicidas do Hamas nos primeiros anos da segunda intifada. Eles viram as operações de “martírio” como uma vingança de suas próprias perdas e da construção de assentamentos de Israel na Cisjordânia, território reivindicado pelos palestinos como parte de seu estado.

Em março e abril de 2004, o líder espiritual do Hamas, Sheikh Ahmed Yassin, e seu sucessor, Abdul Aziz al-Rantissi, foram mortos em ataques com mísseis israelenses em Gaza.

A morte do líder do Fatah, Yasser Arafat, em novembro daquele ano, ocorreu em meio à mudança no comando da Autoridade Palestina, recém-liderada por Mahmoud Abbas, que considerava os disparos de foguetes do Hamas contraproducentes.

Em 2006, quando o Hamas obteve uma vitória esmagadora nas eleições parlamentares palestinas, o terreno estava pronto para uma dura luta com o Fatah pelo poder na região.

O Hamas resistiu a todos os esforços para fazer com que o grupo assinasse acordos palestinos firmados anteriormente com Israel, além de reconhecer a legitimidade de Israel e renunciar à violência.

tags: em foco

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Conflito entre Israel e palestinos: por que a violência põe Joe Biden em uma situação difícil
Joe Biden publica declaração de impostos e retoma tradição não cumprida por Donald Trump
Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Pode te interessar