Sábado, 05 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 7 de janeiro de 2016
Quem passa diante de uma porta giratória em um dos primeiros edifícios da 60th Street, junto a Columbus Circle, em Nova York, não tem como supor que ali se esconde um dos dois hotéis mais caros dos Estados Unidos. Não há toldos, tapetes vermelhos ou adereços que chamam atenção. O átrio é uma passagem com apenas um balcão de atendimento para a entrega das malas. Na sequência há outra sala, com sofás e poltronas que ladeiam os elevadores. É preciso subir ao 35 andar para, finalmente, chegar ao lobby do Mandarim Oriental e ver o Central Park aos seus pés.
Na lista dos sete hotéis mais caros dos EUA, o Mandarim de Nova York divide o primeiro lugar com o vizinho The Ritz-Carlton Central Park. Em ambos, as diárias começam em 995 dólares. Fazendo comparação entre preços de suítes presidenciais, a do Mandarim custa 30 mil dólares, enquanto a do Four Seasons sai por 45 mil dólares.
Claro que há muitas opções entre o apartamento mais simples e a suíte mais cara quando a questão é buscar hospedagem numa cidade como Nova York. “Os serviços, a quietude, a vista e a conexão com o exterior” proporcionada por janelas que vão do teto ao chão estão entre os atributos que o Mandarim utiliza para justificar seus preços, afirma a gerente-geral, Susanne Hatje. Segundo ela, a maior parte da clientela é americana e a procura se divide de forma igual entre negócios e férias. O lobby é em mármore escuro e possui vitrines que representam grifes de roupas e joalherias. Ao lado fica o restaurante, o bar e, ainda, o spa, onde há uma linha de produtos assinada pelo cirurgião plástico Ivo Pitanguy. É preciso ir para outro bloco de elevadores para ter acesso aos 198 apartamentos e 46 suítes. Símbolos de Feng Shui parecem estar por toda parte, assim como orquídeas brancas, que, nos andares, ficam perto de tigelas com maçãs verdes.
O preço das suítes não inclui café da manhã e vai de 2.295 dólares a 2.995 dólares – caso da Central Park View Suite. Nela, a sala ampla tem sofás em veludo de seda, mesa para refeições, televisão, escritório e lavabo. No quarto, dá para assistir deitado na cama ao amanhecer. As janelas, de alto a baixo, formam um ângulo reto e, além da vista para o Central Park, igual à da sala, dá para ver o rio Hudson com seus navios. O banheiro é um festival de detalhes, com uma pequena televisão de plasma disfarçada no vidro do espelho, que permite acompanhar o noticiário enquanto se escova os dentes.
A atração principal, no entanto, é o vaso sanitário com assento aquecido, cuja tampa se levanta e se fecha comandada por um sensor. Ao lado, um painel digital permite a escolha entre vários tipos de jatos de água com diferentes temperaturas e intensidades para a higiene íntima.
Mudança de valores.
Todas essas mordomias têm um custo alto. Para quem trabalha com hotelaria, no entanto, é cada vez mais relativa a visão do que é caro ou barato. “Lembro que há 20 anos quando eu estava escolhendo hotel para uma cliente, comentei: ‘É muito caro!’. E ela respondeu: ‘Para você!’. Daí para frente, minha atitude mudou. Sei que meu trabalho é ajustar o sonho ao bolso de cada um”, conta Henrique Jaimovich, da Plantel Turismo. Com 35 anos de experiência e uma clientela que se encaixa no perfil dos super-ricos, ele diz que o mundo do turismo mudou de uma hora para outra e, com ele, os valores. “Sou de uma época em que só tinha telex para fazer a reserva, as suítes custavam 500 dólares e as pessoas diziam: ‘Oh!’. Será que perdi a noção dos valores? Hoje, cidades como Londres [Inglaterra] têm suítes de 2 mil dólares em profusão.”
Jaimovich acha importante fazer uma diferenciação entre apartamentos e suítes e diz que o cliente das suítes não é necessariamente aquele que tem mais dinheiro. Ele lembra que costuma haver diferença entre preços de balcão e os que são realmente cobrados e cita eventos como a feira Art Basel, em Miami (EUA), na qual há muita procura e os hotéis cobram preços cheios. Em outras ocasiões, no mesmo hotel, um cliente habitual pode ter upgrade para uma suíte sem pagar os 20 mil dólares expressos na tarifa. (AG)
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