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Saúde Saiba por que alguns pacientes em estado grave melhoram um pouco antes de morrer

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Boletim desta quinta-feira menciona 99 novas vítimas de 21 a 95 anos. (Foto: EBC)

No Reino Unido, uma pesquisa em 2008 com profissionais destas instituições apontou que 7 em cada 10 presenciaram casos de pacientes com demência ou confusão mental que melhoraram pouco antes de morrer.

Há termos de diferentes idiomas e épocas para descrever esse mesmo fenômeno, inexplicável até hoje para a Ciência: melhora da morte, o último adeus, a iluminação antes da morte (da era vitoriana no Reino Unido), a melhora do fim da vida, a visita da saúde, a melhora da despedida, o último uhul!, episódios de lucidez, a lucidez paradoxal, a lucidez terminal ou o último raio de Sol (do chinês????).

Mas por que alguns pacientes de doenças crônicas ou recentes como a covid-19 apresentam uma melhora súbita antes de morrer?

As dúvidas existem pelo menos desde Hipócrates, médico grego considerado o pai da Medicina, que nasceu quatro séculos antes de Cristo.

Ele e outros outros nomes da Grécia Antiga acreditavam que a alma permanecia basicamente intacta enquanto o cérebro é afetado por um mau funcionamento físico ou distúrbios da mente.

Há diversas hipóteses que tentam explicar o fenômeno, mas nenhuma delas foi comprovada até agora. Entre elas, oscilações normais em pacientes graves, uma reação química do corpo que funcionaria como um instinto de sobrevivência, o acaso, a persistência da consciência durante a morte e o viés de confirmação, ou seja, pessoas morrem o tempo inteiro, mas acabamos lembrando de histórias surpreendentes de quem melhorou antes de morrer.

Estudos

Pesquisadores e especialistas afirmam serem comuns oscilações de consciência em pacientes com demência nas fases iniciais e moderadas da doença.

Mas os casos ligados a esse fenômeno tratam especificamente de episódios inesperados de lucidez (“episódios espontâneos de comunicação relevante e significativa”) em pessoas que haviam perdido a capacidade de se comunicar de forma compreensiva.

A maioria dos estudos e relatos sobre esse tema se concentra em pacientes com doenças neurodegenerativas, mas há registros de casos em pessoas que apresentavam tumores, abscessos no cérebro, meningite, doenças pulmonares em estágio avançado, coma ou acidente vascular cerebral (AVC), por exemplo.

E essa melhora súbita nem sempre ocorre às vésperas da morte. Em 2009, Michael Nahm e Bruce Greyson, pesquisador do departamento de psiquiatria e ciências neurocomportamentais da Universidade da Virgínia (EUA), levantaram 49 casos descritos na literatura médica.

A pequena amostra não permite conclusões profundas sobre o tema, mas dá algumas pistas do fenômeno ou da tendência dos pesquisadores de relatarem mais casos com essas características. Dos 49 casos, 43% foram de melhora súbita 1 dia antes da morte, 41% de 2 a 7 dias e 10% de 8 a 30 dias.

A maioria dos pacientes tinha demência, cuja forma mais comum é o mal de Alzheimer. Em geral, essa síndrome tem um quadro de atrofia gradual do cérebro, perda de sinapses e neurônios e acúmulo de substâncias tóxicas associado a um declínio cognitivo que compromete diversas áreas, como memória, linguagem e raciocínio.

A prevalência da demência entre pacientes com melhora súbita às vésperas da morte aparece também em estudo produzido pelo filósofo e cientista cognitivo Alexander Batthyány, pesquisador de instituições da Hungria, Áustria, Rússia e Liechtenstein.

Ele analisou 38 casos descritos de pacientes com demência. Do total, 44% ocorreram 1 dia antes da morte e 31%, de 2 a 3 dias. Além disso, 43% dos episódios duraram menos de uma hora e 16% duraram 1 dia ou mais.

Mas, até o momento, não há estudos que apontem quantos casos de fato existem por ano dessa melhora antes da morte. Ou seja, há diversos relatos de casos publicados, mas nenhum que de fato quantifique ou investigue o que está acontecendo no cérebro durante esses episódios em, por exemplo, pacientes com demência.

Hipóteses

Um grupo de dez pesquisadores, entre eles Nahm e Batthyány, analisou em 2018 as evidências científicas em torno do fenômeno e chegou à conclusão que é bastante improvável que ele seja explicado por uma regeneração dos neurônios afetados ao longo do tempo.

Por outro lado, essas oscilações de consciência podem refletir “ajustes complexos em cascatas de sinalização (um evento desencadeia o outro), modificações sinápticas, interações na rede neuronal e, talvez, compensação ou reversão temporária da inibição funcional crônica devido a proteínas neurotóxicas”.

Fernandes, do Hospital das Clínicas da USP, aventa a hipótese, por exemplo, de o corpo emitir uma descarga de hormônios de estresse quando percebe que está próximo da morte, como uma situação conhecida como “luta ou fuga”, que é a resposta fisiológica que funciona como uma espécie de instinto de preservação.

Ele explica que, na fase imediata dessa situação, há uma liberação de adrenalina e outras substâncias que leva a mudanças no corpo, como aumento da frequência cardíaca e pressão arterial, que melhoram o funcionamento de outros órgãos possivelmente comprometidos, a exemplo de uma melhor ativação neuronal e até da lucidez do paciente.

“Isso pode ser na hora em que o corpo sente que está próximo de morrer. Ele então teria essa liberação, mas ela é transitória. E quando esses compostos se esgotam, o paciente piora e vem a falecer.”

 

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