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Futebol Entenda os motivos de Alisson e Ederson estarem entre melhores goleiros do mundo

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Alisson e Ederson estão na disputa do prêmio The Best. (Foto: Reprodução)

Não se tratava de demagogia quando Taffarel falou, ainda durante a preparação para a Copa América, que Alisson e Ederson são dois dos melhores goleiros do mundo. Olhando para trás, talvez fosse até uma profecia diante do anúncio da Fifa nesta segunda-feira, confirmando os dois brasileiros, de Liverpool e Manchester City, como finalistas do prêmio The Best. Eles têm a concorrência do alemão Marc-Andre Ter Stegen, do Barcelona. As informações são do jornal O Globo.

Aos olhos da Fifa e de quem vota nas suas eleições, o Brasil nunca teve o melhor goleiro do mundo. Dida e Júlio César, em 2005 e 2010, foram os que passaram mais perto. Nem o próprio Taffarel conseguiu, em 1994, sendo superado pelo belga Preud’homme e pelo sueco Ravelli. As últimas dez edições do prêmio viram um domínio de Casillas, Neuer — com quatro vitórias cada um — e por último, Buffon e Courtois.

Mas por que a dupla brasileira chega tão forte em 2019?

A começar, pelos resultados coletivos. O Liverpool de Alisson foi campeão da Liga dos Campeões, vice-campeão da Premier League. O próprio Manchester City de Ederson abocanhou o Campeonato Inglês e todas as outras três taças domésticas na Terra da Rainha. Para completar, ambos estiveram juntos no título do Brasil na Copa América, com Alisson sendo o titular.

Um parêntesis: quão privilegiado é Taffarel por ser treinador desses dois na seleção brasileira.

Em termos individuais, o que se viu de Alisson — que já faturou o prêmio de melhor da Uefa — foi uma segurança extrema. A mistura de defesas difíceis com gestos técnicos simples, sem a pirotecnia usada por outras escolas da posição, alça o gaúcho de Novo Hamburgo ao topo do planeta. Os preceitos aprendidos no Internacional evoluíram na Roma, da Itália, e agora trazem títulos na Inglaterra.

A atuação na final da Liga dos Campeões, diante do Tottenham, foi a mostra mais recente da eficiência do brasileiro — já que a Copa América, em geral, não lhe rendeu muito trabalho. Mesmo assim, ele foi o herói da classificação nos pênaltis diante do Paraguai, nas quartas de final.

Pelo Liverpool, somando os jogos de Champions League e Premier League da temporada passada, Alisson entrou em campo 51 vezes e em 27 saiu sem tomar gols. Reduzindo a amostra para o Campeonato Inglês, foram 21 dos 38 jogos sem buscar a bola no fundo da rede.

Ederson também se destacou muito. Ao jogar no time de Guardiola, ele assume papel importante não só para executar as funções básicas de um goleiro — evitar que a bola entre —, mas também na construção de jogo. O goleiro passou pela base do São Paulo, foi moldado em Portugal — em Rio Ave e Benfica — e chegou ao auge na Inglaterra.

A eficiência na reposição e no jogo com os pés é tanta que técnicos adversários o enxergam como ameaça real na saída de bola do City, já que consegue encaixar com sucesso lançamentos em profundidade.

“Nós o amamos do jeito que ele é”, sentenciou Guardiola, em uma coletiva durante a temporada passada.

Em 2018/2019, Ederson fez 55 partidas e em 28 delas saiu sem levar gol. Na Premier League, teve um “clean sheet” a menos do que Alisson: foram 20.

Como decidir entre um e outro? Na seleção brasileira, o que faz diferença é o tempo de casa. Alisson, um ano mais velho, chegou antes e sedimentou o espaço. Mas Tite e Taffarel não fecham os olhos para Ederson, que, inclusive, será titular nos próximos dois amistosos, já que o colega do Liverpool está machucado.

Independentemente de quem ficar à frente na premiação da Fifa e na seleção, o fato é que o Brasil jamais teve dois goleiros simultaneamente tão aclamados internacionalmente. Uma prova que o tal “jogo bonito” tão aclamado lá fora não se limita aos dribles e jogadas de efeito dos atacantes.

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