Terça-feira, 22 de Setembro de 2020

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Mundo Saiba por que Donald Trump mandou proibir o TikTok

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O presidente americano Donald Trump está empenhado em fazer frente à China na área digital. (Foto: Shealah Craighead/White House)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que vai proibir o aplicativo de compartilhamento de vídeos TikTok. As autoridades de segurança dos Estados Unidos expressaram preocupação de que o aplicativo, de propriedade da empresa chinesa ByteDance, possa ser usado para coletar dados pessoais de americanos para compartilhá-los com o governo chinês. O TikTok nega as acusações.

Após a sinalização de Trump, a gerente-geral da TikTok nos Estados Unidos, Vanessa Pappas, afirmou que o aplicativo está “aqui (nos EUA) por um longo prazo”. Em vídeo, ela disse que sua equipe está construindo “o mais seguro dos aplicativos.” A plataforma, que tem crescido rapidamente, tem cerca de 80 milhões de usuários mensais ativos nos Estados Unidos. A proibição seria um grande golpe para a companhia ByteDance. “No que diz respeito ao TikTok, estamos proibindo-o nos Estados Unidos”, disse Trump, que estava a bordo do avião presidencial junto a repórteres que cobrem a Casa Branca. Ainda não está claro se o presidente americano pode proibir o TikTok, como essa proibição seria aplicada e quais desafios legais que a medida enfrentaria.

A Microsoft está em negociações para comprar o aplicativo da ByteDance, mas Trump parece duvidar que esse acordo possa ser aprovado. Fontes citadas pela agência de notícias Reuters disseram que a ByteDance teria concordado em vender o controle do aplicativo nos EUA à Microsoft. O anúncio de Trump ocorre em um momento de tensões crescentes entre ele e o governo chinês em várias questões, incluindo disputas comerciais e a resposta de Pequim à pandemia do coronavírus.

O TikTok é um aplicativo gratuito, uma espécie de versão resumida do YouTube. Os usuários podem postar vídeos de até um minuto e escolher entre um enorme banco de dados de músicas e filtros. Geralmente, os vídeos têm sincronização labial de músicas, cenas engraçadas e truques de edição incomuns. A plataforma explodiu em popularidade nos últimos anos, principalmente com pessoas com menos de 20 anos. Esses vídeos são disponibilizados para seguidores, mas também para estranhos. Por padrão, todas as contas são públicas, embora os usuários possam restringir os uploads para uma lista aprovada de contatos.

Quando um usuário tem mais de mil seguidores, ele também pode fazer transmissões ao vivo para seus fãs e aceitar presentes digitais que podem ser trocados por dinheiro. O aplicativo exibe tanto os vídeos dos perfis que o usuário segue e, com mais destaque, o conteúdo que o aplicativo escolhe com base no que ele assistiu antes. A possibilidade de trocar mensagens privadas também está disponível.

A Índia já bloqueou o TikTok e outros aplicativos chineses. A Austrália, que já proibiu a companhia de tecnologia chinesa Huawei e a fabricante de equipamentos de telecomunicações ZTE, também está considerando proibir o TikTok. Desde o início de 2019, o aplicativo tem se mantido no topo dos rankings de downloads.Os confinamentos devido à pandemia também parecem ter causado um aumento no interesse, levando o TikTok e seu aplicativo irmão Douyin (disponível na China continental) a um número estimado de dois bilhões de downloads em todo o mundo, com cerca de 800 milhões de usuários ativos por mês. O aplicativo foi baixado com mais frequência na Índia, mas a proibição de Délhi significa que a China atualmente é seu principal mercado, seguida pelos Estados Unidos. O Brasil aparece em quinto lugar, depois da Indonésia.

James Clayton, repórter especializado em tecnologia da BBC, explica por que Trump não gosta de TikTok. Segundo ele, a antipatia de Trump pelo TikTok vai além do que apenas preocupações com a privacidade dos americanos. Na Índia, o TikTok foi banido após um conflito na fronteira com a China — a plataforma acabou envolvida em uma disputa geopolítica. E está acontecendo o mesmo nos Estados Unidos. Os olhares de Trump estão fixos na China — e é por meio desse cenário que se deve enxergar a situação do TikTok no país. O aplicativo diz que não mantém dados de usuários na China e nunca forneceria informações ao governo de Pequim.

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