Terça-feira, 29 de setembro de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
19°
Light Rain

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Geral Saiba por que espiões russos usam passaportes de Brasil, Argentina, Peru, Uruguai e Equador

Compartilhe esta notícia:

Imagem de 2017 mostra russo Serguei Cherkasov, espião que se disfarçava de cidadão brasileiro. (Foto: Reprodução)

A descoberta recente de três espiões russos disfarçados de cidadãos brasileiros para coletar informações nos Estados Unidos e na Europa chamou a atenção para uma das maiores redes de espionagem mundiais. Com modernização após a invasão na Geórgia em 2008, quando uma série de falhas ficou evidente, os serviços de inteligência russos – em especial o seu braço militar, o GRU – se tornaram um dos projetos mais estruturados do governo de Vladimir Putin, ele mesmo um espião antes de se tornar presidente. Desde então, eles acumulam acusações de operações de espionagem, manipulação de informações e assassinatos.

Para isso, a inserção de espiões disfarçados de cidadãos comuns para coletar informações – à lá James Bond ou aos agentes secretos soviéticos retratados na série The Americans – é uma parte crucial da estrutura. Nos últimos meses, descobriu-se que o Brasil e outros países da América Latina, como Argentina, Peru, Uruguai e Equador, são pilares importantes para o sucesso da espionagem.

São através dos passaportes destes países, obtidos com facilidade e vistos como “simpáticos” no mundo, que os russos se camuflam em uma “vida comum”, onde casam, têm filhos, um emprego simples, à espera da oportunidade de servir ao Kremlin. O método, considerado ilegal, mas amplamente utilizado por diversos países, acontece em paralelo a outras formas de coletar informações, como espionagem cibernética e o trabalho realizado por diplomatas.

Com o isolamento crescente da Rússia no cenário internacional, os serviços de espionagem se tornaram o instrumento mais forte utilizado para coletar informações secretas e influenciar processos para servir aos interesses russos. As operações mais agressivas, como a inserção de espiões disfarçados de cidadãos, são realizadas na maioria dos casos pelo GRU, órgão do Ministério da Defesa da Rússia com ampla autonomia.

Entre a lista de acusações contra o órgão, estão a interferência nas eleições dos Estados Unidos em 2016, uma tentativa de golpe em Montenegro no mesmo ano, ataques cibernéticos contra a Agência Mundial Antidoping (Wada) e a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) e tentativa de assassinato do agente duplo Serguei Skripal no Reino Unido em 2018.

De acordo com analistas, o GRU, ao lado de outros dois órgãos de inteligência do país, o FSB (Serviço Federal de Segurança, que sucedeu a KGB) e o SVR (Serviço de Inteligência Estrangeiro), recuperou a expertise que os russos possuíam em espionagem na época da União Soviética, responsável, por exemplo, por obter segredos sobre o programa de armamento nuclear dos EUA, e que havia sido perdida durante a década de 90.

“A ameaça da espionagem russa hoje talvez seja maior do que durante a Guerra Fria”, declarou o ex-assessor especial do governo Bill Clinton para assuntos da Rússia e membro do centro de estudos americano Rand Corporation, William Courtney.

Apesar da capacidade de obter informações, analistas afirmam, no entanto, que a Rússia falha em analisar e avaliar as informações. Na Ucrânia, por exemplo, o programa de espionagem conseguiu obter informações e manipular a opinião pública de áreas ocupadas, segundo um relatório do centro de estudos britânico Royal United Services Institute (Rusi), mas falhou ao não antecipar a forma de uma resposta ocidental unificada.

O programa atual de espionagem da Rússia não seria possível sem o apoio do presidente, Vladimir Putin, ex-funcionário da KGB e diretor da FSB antes da chegada ao Kremlin. Quando a Rússia iniciou a modernização dos serviços militares após perceber falhas nas informações coletadas na invasão da Geórgia em 2008, Putin ocupava o cargo de primeiro-ministro após oito anos na presidência, mas mantinha grande influência sobre o governo do aliado Dmitri Medvedev. Ao retornar ao Kremlin em 2012, as agências tinham autonomia e o apoio dele para operar.

“A espionagem russa caiu muito nos anos 90, até por uma questão financeira, porque faltava recursos, e porque o (Boris) Yeltsin não priorizava tanto a questão da inteligência e segurança. O Putin, além de ter conseguido a recuperação econômica nos anos 2000, provém dos serviços de segurança e deu prioridade a isso”, afirma o historiador e professor da USP, Angelo Segrillo, especialista em Rússia.

Um relatório do serviço de pesquisa do Congresso dos EUA publicado em 2021 indica que a estrutura atual do GRU permite total autonomia e que o órgão se reporte diretamente a Putin. As atividades desenvolvidas pelo serviço se especializaram em áreas desregulamentadas – como zonas de guerra e na internet – e para atuar de maneira mais agressiva, enquanto o FSB está ligado à inteligência interna e dos países que fazem fronteira com a Rússia e o SVR, a informações mais diplomáticas.

Analistas e pesquisadores notaram no relatório do Congresso americano que a cultura organizacional e a competição entre agências de espionagem podem influenciar a disposição dos russos de conduzir operações agressivas e muitas vezes imprudentes, como forma de justificar a atuação para o alto poder do Kremlin. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Geral

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Bolsa e dólar começam a semana com leves quedas
Pais da jovem brasileira que caiu de prédio na Argentina acreditam que ela foi empurrada
Pode te interessar