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Geral Saiba quais bancos sofreriam mais com o teto de juros no rotativo

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Atualmente, a taxa no rotativo está em 437,3% ao ano. (Foto: Reprodução)

O relator do projeto de lei do programa de renegociação de dívidas Desenrola, deputado Alencar Braga (PT-SP), introduziu na última quinta-feira (24) uma cláusula dando aos bancos 90 dias para apresentar uma proposta para reduzir o juro do rotativo cartão de crédito. Caso contrário, será imposto um teto de 100% ao ano para a taxa.

Atualmente, a taxa no rotativo está em 437,3% ao ano (o dado mais recente é de junho), mas desde 2017 a resolução 4.549 do Banco Central determinou que o cliente não pode ficar mais de 30 dias nessa linha. Quando isso ocorre, o banco é obrigado a oferecer outras alternativas, com condições melhores. Ou seja, ninguém paga de fato 437,3% de juros. Em média, as pessoas passam cerca de 18 dias no rotativo, segundo dados do setor.

Não está claro como o teto de 100% ao ano proposto por Braga funcionaria, mas se a taxa fosse transformada em mensal, seria algo em torno de 5,9%, bem inferior ao teto do cheque especial, que é de 8%.

Recentemente, o Goldman Sachs fez um estudo para averiguar quais bancos seriam os mais afetados por um teto de juros no rotativo. A instituição elaborou dois cenários. No primeiro, com um teto de 8%, o Inter seria o mais afetado, em termos relativos, com uma queda de 56% no lucro anual. Na sequência aparecem Nubank (impacto de 24%), Santander (9%), Bradesco (8%), Itaú (6%) e Banco do Brasil (4%). Se o teto de juro for de 10%, o Inter teria uma baixa de 38% no lucro, seguido de Nubank (16%), Santander (6%), Bradesco (5%), Itaú (4%) e BB (2%).

Em termos absolutos, com um teto de juros de 8%, o Itaú teria um impacto de R$ 2,033 bilhões, seguido de Bradesco (R$ 1,533 bilhão), BB (R$ 1,291 bilhão), Santander (R$ 1,050 bilhão), Inter (R$ 155 milhões) e Nubank (US$ 118 milhões).

O Goldman Sachs realizou seus cálculos considerando a carteira de cartão de crédito de cada banco e qual a fatia do rotativo nesse portfólio. Nubank, Itaú e Inter revelam esse dado, enquanto para Bradesco, BB e Santander o Goldman Sachs utilizou a média da indústria, de 16%. Os analistas também consideraram para todos os bancos uma inadimplência (acima de 60 dias) de 50%; uma taxa de juros média cobrada pelas instituições de 14,2%; e um prazo de 20 dias no rotativo usado pelos clientes. Com base nesses números, eles inferiram as receitas de cada banco com o rotativo e depois descontaram os efeitos de cada um dos dois cenários analisados (teto de juros de 8% ou 10%).

O Goldman Sachs ressalta que o cálculo é uma estimativa preliminar, já que não há detalhes sobre como o teto de juros funcionaria, e que os resultados também são altamente sensíveis às variáveis usadas (fatia do rotativo na carteira total de cartão, inadimplência e dias que o cliente passa nessa linha). “Continuamos a acreditar que a implementação de um limite máximo para as taxas de juros no rotativo do cartão de crédito pode ser um desafio, dada a utilização generalizada do parcelado sem juros, o que poderia não só impactar negativamente os bancos, mas também comerciantes e consumidores.” As informações são do jornal Valor Econômico.

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