Sábado, 17 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de julho de 2021
O coordenador do teste clínico da vacina de covid-19 da Pfizer no Brasil Cristiano Zerbini afirmou que é necessário esperar os “resultados da ciência” para determinar ou não a necessidade de uma terceira dose de vacina contra o coronavírus.
Nesta segunda-feira (19), a Pfizer iniciou um estudo com mais de 10 mil voluntários pelo mundo com a aplicação do que Zerbini chamou de “dose de reforço” em vez de 3ª dose. No Brasil, 885 pessoas participarão dos testes — todos já integraram a fase clínica do imunizante da Pfizer no País e já estão vacinados há 6 meses, explicou.
A pergunta-chave do estudo, disse Zerbini, será determinar se há a necessidade de uma terceira dose ou se as duas primeiras já são suficientes para conferir imunidade contra o SARS-COV-2.
Os voluntários serão acompanhados por um ano, e em até dois meses os pesquisadores devem ter uma análise interina que mostrará os efeitos da dose de reforço até então.
Estudo
Segundo o pesquisador, um estudo que sairá no periódico científico “New England Journal of Medicine” em até três semanas trará mais detalhes sobre como ficou a imunidade dos vacinados com a Pfizer. De acordo com Zerbini, os dados demonstram que:
— 11 dias depois da 1ª dose da Pfizer, houve proteção de 92% contra covid-19;
— 7 dias depois da 2ª dose da Pfizer, houve proteção de 95% a 100% contra a covid-19;
— 6 meses após a 2ª dose, “embora para alguns grupos de pessoas a proteção continuava em 100%, em um grupo de pessoas, principalmente aqui na América Latina, em Brasil e Argentina, nós notamos que a proteção diminuiu para 86%”, explicou.
“Notamos que há uma diminuição de 6% da efetividade a cada 2 meses”, complementou.
Zerbini também afirmou que é importante que a população continue a seguir medidas de prevenção contra a covid, como o uso de máscaras e o distanciamento social, e que a pessoas não devem realizar testes de antígeno ou misturarem doses de imunizantes diferentes, assim como escolherem vacinas.
“Eu tomei a CoronaVac. Eu, como pesquisador da vacina da Pfizer, não posso tomá-la para não influenciar as pessoas. Tomei as duas doses da CoronaVac e estou ótimo. Não estou preocupado com nada. Me sinto imunizado, não vou a laboratório correndo para fazer teste de anticorpo neutralizante, isso virou uma loucura”, afirmou.
“Não fiquem fazendo teste para ver se estão imunizados, isso é bobagem. Existe uma outra imunidade que não é medida por testes, não medida pelos anticorpos, que é a imunidade celular, feita pelos linfócitos T e alguns linfócitos B”, explicou. “Vamos obedecer o que está na pauta dos governos. Tome a vacina que está disponível, não fique fazendo teste à toa, não tire a oportunidade de outras pessoas.”
O pesquisador também ressaltou que, até o momento, todas as vacinas disponíveis no Brasil têm tido eficácia satisfatória contra as variantes do vírus, em especial a variante Delta, que tem preocupado o mundo.
“A boa notícia das vacinas que temos aqui no Brasil é que todas são bastante eficientes, elas estão respondendo às variantes que temos. A variante que importa para nós é a nossa mesmo. Não há motivo para alarde.”
Os comentários estão desativados.