Sexta-feira, 09 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 28 de junho de 2020
A saída de quatro procuradores da equipe da Lava-Jato, na Procuradoria-Geral da República, provocou críticas à gestão de Augusto Aras e ameaça comprometer as investigações de combate à corrupção.
Dos sete integrantes da equipe da Lava-Jato na Procuradoria-Geral da República, ficaram três: a coordenadora do grupo, Lindora Araújo, e mais dois procuradores.
Em junho, quatro pediram para deixar o grupo.
O motivo são discordâncias quanto a ações da coordenadora, que é uma das auxiliares mais próximas do procurador-geral da República, Augusto Aras.
Segundo os procuradores da Lava-Jato em Curitiba, a equipe de Lindora solicitou informações, inclusive sigilosas, como relatórios financeiros, dados de autoridades e documentos de buscas e apreensões.
Os procuradores da força-tarefa no Paraná disseram que Lindora pediu também acesso ao sistema de gravação de chamadas telefônicas recebidas pelos procuradores, adotado em 2015, para prevenir contra ameaças.
Isso, de acordo com os procuradores, sem formalizar os pedidos de acesso, nem dizer se existe procedimento instaurado que justificasse o compartilhamento desses dados.
A força-tarefa do Paraná recorreu à Corregedoria-Geral do Ministério Público Federal para saber se havia justificativas para a ação da subprocuradora, que foi considerada, por eles, fora do padrão. E pareceu, aos procuradores, que havia uma investigação sobre a força-tarefa.
O ex-juiz da Lava-Jato Sergio Moro disse, em nota, que estranhou a ação da procuradora.
Afirmou que “aparentemente, pretende-se investigar a operação Lava-Jato em Curitiba”. E que “não há nada para esconder nas investigações. Embora essa intenção cause estranheza.”
O presidente da Associação dos Procuradores afirmou que esse esvaziamento do grupo da Lava-Jato na PGR pode prejudicar o andamento das investigações.
“Nós vemos com muita preocupação a constante saída de membros do grupo da Lava-Jato na Procuradoria-Geral da República, porque isso pode de fato atrapalhar as investigações e ações em curso. É preciso defender com veemência a independência funcional de cada membro do Ministério Público brasileiro”, disse Fábio George Cruz da Nóbrega, presidente da ANPR.
O ex-procurador da Lava-Jato Carlos Fernando Lima alertou para a perda de independência das investigações. Ele disse que o que acontece no Ministério Público Federal é a destruição de todo um trabalho que vem desde a Constituição de 88. O PGR, segundo Carlos Fernando, atenta contra a independência das investigações e intimida as equipes de investigação.
A Procuradoria-Geral da República afirmou que a subprocuradora Lindora Araújo fez uma visita de trabalho à força-tarefa em Curitiba na condição de coordenadora da Lava-Jato, que desde o início das investigações, há um intercâmbio de informações entre a PGR e as forças-tarefas nos estados, que não se buscou compartilhamento informal de dados e que os assuntos da reunião de trabalho, como é o normal na Lava-Jato, são sigilosos.
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