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Economia Saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep acende alerta sobre o futuro dos preços do petróleo

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A saída cria uma nova dinâmica no mercado global da commodity e pode afetar os preços no futuro. (Foto: Reprodução)

A decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Opep+ a partir de 1º de maio reacendeu o debate sobre o papel desses grupos no mercado global de petróleo — e sobre como suas decisões influenciam os preços da energia no mundo.

O anúncio foi confirmado pelo ministro de Energia do país, Suhail Mohamed al-Mazrouei, que afirmou que a decisão foi tomada após uma revisão das estratégias energéticas dos Emirados Árabes.

A saída cria uma nova dinâmica no mercado global da commodity e pode afetar os preços no futuro.

A decisão ocorre em meio ao choque energético provocado pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e representa um duro golpe para os grupos exportadores de petróleo.

Especialistas consultados pela Reuters avaliam que o impacto não deve ser significativo no momento, já que a principal preocupação do mercado de petróleo não é a produção, mas o entrave logístico após o fechamento do Estreito de Ormuz.

“O anúncio de hoje não altera nada nesse aspecto”, afirmou à Reuters o estrategista sênior de pesquisa da Pepperstone, Michael Brown.

“A meta de produção pré-conflito dos Emirados Árabes Unidos, de 5 milhões de barris por dia em 2027, agora pode se mostrar mais provável de ser alcançada, o que ajudará os preços do petróleo bruto a se normalizarem mais rapidamente assim que o conflito chegar ao fim”, completou.

Ainda assim, segundo especialistas, a decisão pode reduzir a capacidade da Opep de gerir os preços do petróleo no mercado internacional.

“Essa saída levanta uma questão estratégica: se outros produtores começarem a priorizar a participação de mercado em detrimento da disciplina de cotas, a capacidade da Opep de gerir mercados (…) poderá ser cada vez mais questionada”, alertou o especialista do Saxo Bank, Ole Hansen, à Reuters.

Atualmente, a Opep exerce grande influência sobre os preços do petróleo ao coordenar oferta e demanda entre os países produtores e exportadores da commodity.

Funciona assim: Em vez de definir um preço fixo para a commodity, o grupo firma acordos de produção para ajustar a quantidade de petróleo disponível no mercado. São estabelecidas metas (ou cotas) para cada país que, quando cumpridas, ajudam a elevar ou reduzir os preços.

Assim, quando há excesso de oferta no mercado global, o grupo reduz a quantidade de barris disponíveis, o que tende a pressionar os preços para cima. Já em períodos de maior demanda, a produção pode ser ampliada para conter altas mais intensas.

Entre os países exportadores, os Emirados Árabes Unidos são o 4º maior produtor de petróleo do mundo e detêm a 5ª maior reserva da commodity.

“A saída dos Emirados Árabes Unidos representa uma mudança significativa para a Opep. Juntamente com a Arábia Saudita, é um dos poucos membros com capacidade ociosa relevante — mecanismo por meio do qual o grupo exerce influência no mercado”, explicou o analista da Rystad, Jorge Leon, à Reuters.

Com isso, afirmou Leon, a principal implicação da decisão é uma Opep “estruturalmente mais fraca” no longo prazo.

“Fora do grupo, os Emirados Árabes Unidos teriam tanto o incentivo quanto a capacidade de aumentar a produção. Isso levanta questões mais amplas sobre a sustentabilidade do papel da Arábia Saudita como principal estabilizadora do mercado e aponta para um setor potencialmente mais volátil, à medida que a capacidade da Opep de suavizar desequilíbrios de oferta diminui”, completou.

Especialistas explicam que, apesar dos impactos negativos no longo prazo, a decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar o grupo não surpreendeu o mercado, já que o país discorda da política geral da Opep há anos.

Segundo o analista sênior do Centro Carnegie Rússia-Eurásia, Sergey Vakulenko, os Emirados Árabes Unidos projetam aumentar a produção em até 30%, avanço que seria difícil de alcançar dentro das limitações impostas pela organização.

“Agora, provavelmente, é o momento menos prejudicial para anunciar essa decisão. Os preços do petróleo estão elevados e há escassez real devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Quando a passagem for reaberta, a demanda deve continuar alta, já que os países estarão recompondo as reservas consumidas desde fevereiro, o que tende a sustentar os preços”, avaliou Vakulenko à Reuters.

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