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Brasil Santa Catarina tem aceleração de transmissão de coronavírus após flexibilizar a quarentena

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A proposta prevê multa em casos de descumprimento e determina que governadores ou prefeitos deverão definir e regulamentar o valor da punição. (Foto: Ricardo Wolffenbüttel/SECOM)

Santa Catarina registrou o maior número de mortes, em 24 horas, desde o início da pandemia do novo coronavírus, com 12 óbitos na última terça-feira (26). Nesta semana, o Hospital Marieta Konder Bornhausen, de Itajaí, distante cerca 97 km da capital, atingiu 100% de ocupação dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para Covid-19.

Pacientes tiveram de ser transferidos para outras unidades. A região da foz do Itajaí soma mais de 20 óbitos, seis confirmados somente em uma semana, e lidera o índice de letalidade em Santa Catarina.

Os casos confirmadas e óbitos no Estado aumentaram após a reabertura do comércio, incluindo shoppings centers, em 13 de abril. Desde então, o número de mortes mais que dobrou, saltando de 47 para 131. Durante divulgação do boletim diário, o secretário estadual de Saúde, André Motta, disse que as previsões “apontam para uma aceleração da transmissão do vírus”.

“Apesar dos números favoráveis até então, todos nós precisamos prestar muita atenção. Esse enfrentamento está ainda começando, precisamos reforçar o isolamento social”, afirmou Motta no mesmo comunicado transmitido via internet.

A Secretaria de Saúde em Itajaí disse que o município já cobrou o Estado para implantação de novos leitos. “O compromisso é que o (Hospital e Maternidade) Marieta Konder Bornhausen chegue a 100 leitos de UTI para Covid-19 e outros 20 para as demais patologias”, informou o município em nota.

No sul catarinense, no Hospital Regional de Araranguá, a ocupação das UTIs para Covid-19 chegou a 90% na quarta-feira (27).

Flexibilização

Também na quarta, o governador Carlos Moisés (PSL) afirmou que vai permitir que os municípios decidam sobre medidas de flexibilização da quarentena – em relação, por exemplo, ao transporte público. Além dos ônibus, que estão suspensos por força do decreto estadual em vigor desde 17 de março, aulas e eventos com aglomeração de público permanecem sem autorização.

O pedido de autonomia veio dos próprios prefeitos, em reunião virtual com o governador na semana passada, na qual defendem a descentralização de ações contra a pandemia. Moisés não descartou atitudes pontuais para restringir flexibilização.

Em meio aos pedidos de flexibilização, os números disparam. Uma das situações mais preocupantes é na região oeste, que começou a registrar um crescimento de casos mais acelerado nas últimas semanas. A região também enfrenta surtos de infecção nos frigoríficos.

Em apenas uma unidade da BRF, na cidade de Concórdia, 73 funcionários testaram positivo. Na semana passada, uma unidade da JBS, em Ipumirim, foi interditada pelo Ministério Público do Trabalho por situação semelhante. O primeiro caso na região foi confirmado em 7 de abril. No oeste, há o maior número de infectados no Estado.

Associadas ao aumento de casos, as empresas do Sindicato da Indústria de Carnes & Derivados (Sindicarne) e Associação Catarinense de Avicultura (Acav) doaram cerca de R$ 35 milhões em recursos, equipamentos e alimentos para hospitais, municípios e governo. Só a JBS doou mais de R$ 28 milhões.

Em Santa Catarina, o uso de máscaras em locais públicos tornou-se obrigatório, além da medição de temperatura em supermercados e hotéis.

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