Quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 25 de abril de 2018
O número de casos confirmados de toxoplasmose em Santa Maria subiu para 51, de acordo com o último boletim divulgado pela prefeitura do município. Destes, oito são de mulheres gestantes. Em relatório anterior eram 21 os casos confirmados.
Com o objetivo de garantir ações para conter o surto da doença e assegurar o tratamento adequado à população, o prefeito Jorge Pozzobom esteve reunido, em Brasília, com o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, e com o secretário de Saúde, Francisco de Assis Figueiredo. O chefe do Executivo, acompanhado do deputado federal Osmar Terra, buscou auxílio para reforçar o estoque de medicamentos na cidade.
O prefeito confirmou remessa de remédios e acertou a presença de uma equipe do EpiSUS (Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde) para somar esforços às equipes de vigilância do Estado e do município na tentativa de encontrar a origem e a forma de contaminação. Até agora, exames realizados descartam problemas com a água, ainda assim, a indicação é para que as pessoas fervam o produto antes de beber ou consumam água mineral ou filtrada.
Mas o que é toxoplasmose?
A toxoplasmose é uma doença comum em animais de sangue quente e hoje estima-se que mais de 2 bilhões de pessoas estejam cronicamente infectadas no mundo. A doença infecciosa é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii e acarreta sérios riscos no período da gestação, podendo comprometer a integridade do feto.
Existe na forma congênita (adquirida na gestação através da contaminação da mãe) ou adquirida após o nascimento. A toxoplasmose adquirida pode determinar quadros variados, desde a ausência de sintomas até doença com manifestações graves.
O pesquisador chefe do Centro de Referência de Toxoplasmose de Erechim, dr. Claudio Silveira, esclarece que “a toxoplasmose adquirida não é transmitida por um vírus e sim por um protozoário”, sendo seu principal hospedeiro o gato. “O oocisto (local de desenvolvimento de um parasita) é eliminado pelas fezes do gato doente e contamina o meio-ambiente (água, pastagens, horta, jardins, caixas de areia etc). O cisto se desenvolve no organismo dos animais ou pessoas que ingerem o oocisto. Pode ocorrer contaminação através do cisto se houver ingestão de carne mal passada ou crua e embutidos frescos. Os felinos podem se infectar ao ingerirem carne de ratos ou pássaros contaminados ou se forem alimentados com carne crua ou mal passada.”
O especialista alerta sobre os riscos para a as gestantes. “Existe 11% de chances de o feto ser infectado se ela adquirir a toxoplasmose no primeiro trimestre da gestação. Caso sejam infectadas e não forem tratadas, as consequências para o feto podem ser mais graves. Se a gestante adquirir a toxoplasmose no terceiro trimestre da gestação, as chances de atingir o feto são maiores, 60%. Porém, se ela não for tratada, as consequências para o feto serão menos graves das que pegaram a doença no início da gravidez.”
Exame de olhos
Além das gestantes e das pessoas imunocomprometidas, todos da região do surto devem ter os olhos examinados e ser avisados de que podem começar a enxergar manchas ou nuvens mesmo um tempo após o início do problema, alerta Silveira. “Estas pessoas necessitam fazer um exame de fundo de olho. Estudos epidemiológicos mostram que mais de 10% dos infectados tem tardiamente doença ocular grave e risco de cegueira.”
Ainda sobre gestantes, ele indica exames de sangue periférico, retirado do braço, para diagnosticar a doença no feto. “Os exames de punção de líquido amniótico para diagnosticar toxoplasmose fetal traz risco de abortamento muito grande, algo como 1 aborto para 200 gestantes submetidas ao exame. Na maioria dos casos é possível saber qual é o tratamento mais indicado só com exames de sangue, sem necessidade de realizar a punção do líquido amniótico.”
Prevenção
Evite comer carnes cruas. Outra maneira é o congelamento das carnes antes do consumo, durante 3 dias a-15°(freezer). Coma verduras e legumes sempre bem lavados Deixe de molho em solução de água com vinagre, lavando-as após em água corrente.
Se tiver contato com gatos, lave as mãos após. Conserve cobertas as caixas de areia para as crianças quando não estiverem em uso. Lave bem as mãos e unhas após trabalhar com terra ou use luvas. Não use a faca e a tábua de cortar carne para outros alimentos antes de lavá-la. Elimine moscas, baratas e ratos dando o destino correto ao lixo doméstico e dejetos de criações de animais.
Desinfete ambientes contaminados com fezes de gato com água fervente. Amoníaco a 7% pode ser usado, mas não é 100% eficaz. Carne de porcos criados livres apresentam mais riscos. (Fabiane Christaldo/O Sul)
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