Segunda-feira, 10 de Agosto de 2020

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Brasil Se fosse um país, o Rio de Janeiro teria a segunda maior mortalidade por coronavírus do mundo para cada 1 milhão de habitantes

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Nos últimos sete dias, a média foi de 1.055 óbitos diários. (Foto: Prefeitura de Manaus)

O município do Rio chegou à marca de 6.618 óbitos confirmados pelo novo coronavírus. Considerando uma população de 6,32 milhões, isso significa que a capital teve 1.047 mortes por milhão de habitantes. Essa proporção de óbitos revela um índice muito superior ao de países que sofreram gravemente com a pandemia, como o Reino Unido (647), Espanha (607) e Itália (575).

Se fosse um país, o Rio só ficaria atrás da república de San Marino, na Europa, que tem a pior taxa proporcional de mortos por habitantes do mundo. A diferença, no entanto, é que a pequena nação, que é um enclave na Itália, possui apenas 33 mil habitantes.

Os índices de outras grandes cidades fortemente afetadas pela pandemia também são superiores a países, como é o caso de Nova York, que teve 22.574 óbitos, para uma população de 8,4 milhões de habitantes, o que corresponde a uma taxa de mortalidade de 2,687 por milhão de habitantes. Esse total é mais do que o dobro do Rio e de San Marino. Madri também tem estatísticas semelhantes: foram 8.416 mortes, em uma população de 6,6 milhões, o que corresponde a uma taxa de mortalidade de 1,275 por milhão de habitante, também superior à registrada no Rio.

Outra taxa que faz o Rio se destacar negativamente é a de letalidade com relação aos casos confirmados de coronavírus, que está em 8,75% atualmente, a  maior do País.

Esses índices foram publicados pelo último relatório do Observatório Fluminense Covid-19, que reúne pesquisadores da Uerj, UFRJ e Fiocruz. Segundo especialistas, a falta de testes e a subnotificação de casos termina por aumentar a taxa de letalidade do Rio, enquanto as falhas de assistência médica à população ajudam a explicar a alta mortalidade.

“A nossa mortalidade por milhão de pessoas está acima de 1.000. Isso mostra que a epidemia aqui está muito grave. Se o Rio fosse um país, só ficaria atrás de San Marino, o que nem é um bom parâmetro, porque eles só têm 33 mil habitantes”, afirma o professor de matemática aplicada da Uerj Americo Cunha, integrante do Observatório. “A mortalidade mede a severidade da epidemia, e aqui é muito alta. Aí entra a falha de atendimento, na assistência e o subdimensionamento do sistema de saúde.”

Reabertura da economia

O Observatório não fez as comparações de mortalidade entre todas as cidades do País, mas, no número frio da estatística, é provável que o Rio não seja o líder pela profusão de municípios com população muito pequena. No entanto, seu índice é muito maior, por exemplo, que Manaus, que corresponde a 830,4 mortes por milhão de habitantes e que sofreu um dos piores colapsos no sistema de saúde durante a pandemia.

‘Isso ajuda a nos dar uma visão do quanto é grave a situação no Rio”, diz Cunha, que critica a abertura da economia no Rio. Nesta quinta-feira (2), bares e restaurantes puderam entrar em funcionamento. “Na Alemanha, por exemplo, o comércio foi aberto em maio, enquanto a curva entrou em queda em março. No Rio, a abertura está sendo muito precipitada. O risco é aumentar o contágio. É seguro dizer que óbitos vão ocorrer por causa disso. Tivemos uma desaceleração, mas o patamar de mortes ainda é muito alto.”

Segundo o professor, a queda na ocupação de leitos, o que vem sendo considerado pela prefeitura para a abertura do comércio, é importante, mas não pode ser o único índice a ser levado em conta. Além da mortalidade, o Rio é o Estado com a maior taxa de letalidade do País, pois 8,75% de todos os casos confirmados do novo coronavírus se transformaram em óbitos. Como efeito de comparação, a média nacional é de 4,3%.

“Nessa estatística, o problema é a alta subnotificação. A informação mais recente que existia era de que o Rio só testava mais do que Minas, que é um estado onde a curva epidêmica está em outra fase, ainda em aceleração. São Paulo, por exemplo, testa muito mais que o Rio, e tem uma taxa de letalidade de 5%. Como o total de casos é subnotificado, a taxa de letalidade sobe”, explica Cunha.

O Sindicato de Médicos do Rio (SinMed-RJ) fez um levantamento das maiores taxas de letalidade por município do Estado. À frente, está Mesquita, com 14,44%. Quase toda a região metropolitana tem índice acima de 10%, e a capital tem 11,50%, em sexto lugar. Essa estatística, aliada à alta mortalidade, pode ser explicada pelas falhas na rede de atendimento, segundo o médico Carlos Vasconcellos, diretor do sindicato.

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