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Brasil Secretários nomeados por Sérgio Moro também entregaram os cargos

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No interrogatório, Moro voltou a negar interferência na investigação do ataque hacker enquanto ocupou o Ministério da Justiça. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Secretários do Ministério da Justiça também entregaram seu cargo no Ministério da Justiça em solidariedade a Sérgio Moro, que deixou o posto de ministro nesta sexta-feira (24) e acusou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de tentar interferir em investigações da PF (Polícia Federal).

Vladimir Passos de Freitas, secretário nacional de Justiça, e Luciano Timm, secretário nacional do Consumidor, anunciaram que não continuarão no Ministério da Justiça.

“Em um ano e quatro meses, colhi uma das mais ricas experiências da minha vida. Aguardarei a nomeação do novo secretário, a fim de fazer a transição e não prejudicar o serviço público”, escreveu Freitas em suas redes sociais, agradecendo Moro.

“Minha absoluta e irrestrita solidariedade ao ministro Sérgio Moro”, escreveu Timm em suas redes sociais.

O diretor-geral do Depen (Departamento Penitenciário Nacional), Fabiano Bordignon, também deixará seu cargo.

Ataques

Em um evento interno de despedida dos funcionários do Ministério da Justiça, Moro disse estar consternado.

O ex-juiz federal repetiu parte do pronunciamento que fez pela manhã, afirmando que não tinha como continuar após as tentativas de interferência de Jair Bolsonaro na PF.

No breve discurso, Moro avisou aos servidores para estarem preparados porque “virão ataques”.

O ministro não deu mais informações, sobre de onde ou de quem podem vir, mas disse que vão tentar de alguma maneira apontar problemas nos feitos do ministério, por exemplo.

Após a fala de Moro, uma funcionária de carreira do gabinete leu uma carta em nome dos integrantes da pasta.

Ela disse que é a despedida mais difícil do ministério em anos e que o ex-juiz foi o melhor ministro que passou por ali.

Afirmou ainda que a passagem de Moro trouxe ânimo, coragem e orgulho aos servidores.

Decepção

Um dos maiores apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, o empresário Luciano Hang, das lojas Havan, descreve a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça como decepcionante. Ele classifica esta sexta (24) como um “dia triste”, em que o seu “herói” deixou o governo federal.

“Fico triste com a saída do ministro Moro. Sempre tenho manifestado que ele é o grande herói brasileiro. Um herói vivo. O cara que fez uma grande transformação no nosso País contra a corrupção. Hoje é um dia pesado, muito, muito, muito ruim”, diz Hang.

“A saída do Moro me deixa decepcionado. Neste momento estamos vivendo uma crise de saúde, política e econômica, e não temos que ter mais crises do governo. Temos que agora nos unir para passar esse momento. Estou muito triste. O Moro deixa um legado para o País inimaginável, sou fã de carteirinha dele, e ele é meu herói”, acrescenta.

Sobre as acusações feitas por Moro a Bolsonaro, como a tentativa de acessar arquivos da PF e uma suposta fraude em sua assinatura no Diário Oficial, Hang disse que não acompanhou o que disse o ministro.

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