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Economia Mesmo diante do aumento de ataques cibernéticos contra instituições financeiras, segurança do Pix não foi afetada, dizem analistas

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Especialistas em cibersegurança mantêm a convicção de que as estruturas do sistema de pagamento instantâneo não estão comprometidas. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Mesmo diante do aumento de ataques cibernéticos direcionados às instituições financeiras que atuam no ecossistema do Pix, especialistas em cibersegurança mantêm a convicção de que as estruturas do sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central (BC) não estão comprometidas.

Inabalada também, dizem, está a reputação do Sistema Financeiro Nacional (SFN). No entanto, os desdobramentos desses ataques acenderam alertas sobre a criticidade da assimetria de maturidade da governança e dos sistemas de segurança entre os participantes do Pix.

Eduardo Lopes, presidente da Zetta, associação que reúne empresas de tecnologia atuantes no mercado financeiro e de meios de pagamento, valoriza o fato de não haver invasão direta aos sistemas operados pelo Banco Central. Lopes considera que as normas editadas pelo regulador na primeira quinzena de setembro têm a eficácia necessária para preservar a robustez do sistema financeiro. Entre as medidas, ele destaca o aumento dos requerimentos de governança e gestão de riscos para os provedores de serviços de tecnologia da informação (PSTIs).

“Entendemos que o SFN segue robusto. Em nenhum desses casos, houve uma invasão direta aos sistemas operados pelo Banco Central. Isso ocorreu especificamente nos sistemas de determinadas instituições, que utilizam provedores de serviços de tecnologia da informação (PSTIs) para se conectarem aos sistemas do BCB”, diz Lopes.

Alberto Leite, CEO do Grupo FS, observa que o Pix mantém a tradição do sistema financeiro brasileiro de ser reconhecido pela robustez tecnológica e por investimentos massivos e recorrentes em segurança.

A diferença está na ampliação da superfície de ataque. “Como inovação, o Pix manteve essa tradição, mas ampliou a superfície de ataque ao trazer centenas de novos participantes, muitos sem a mesma maturidade de segurança dos grandes bancos”, afirma o executivo.

Na avaliação de Leite, os PSTIs se tornaram o alvo preferencial dos ciberataques, o que reforça a urgência de operarem com a mesma disciplina de um banco. “Isso significa infraestrutura segregada, acessos administrativos com autenticação multifator, sistemas sempre atualizados, auditorias de segurança regulares e monitoramento contínuo de logs e transações”, ressalta Leite.

Fernando De Falchi, gerente de engenharia de segurança da Check Point Software Brasil, observa que os ataques se tornaram mais sofisticados e a maior integração no sistema financeiro – a partir da adoção do Pix, desenvolvimento do open finance, e, consequentemente, a utilização de Interfaces de Programação de Aplicações (APIs) abertas  evidencia a assimetria de maturidade dos processos. “Entraram novos atores, instituições menores, muitas vezes sem o mesmo nível de maturidade em segurança dos grandes bancos ou os bancos mais antigos”, diz.

Falchi enxerga infraestruturas frágeis, muitas vezes terceirizadas, sem visibilidade em tempo real, o que exponencia falhas em governança e testes de segurança, cenário agravado por ausência de planos de respostas a incidentes. Danilo Roque, responsável pelas práticas de tecnologia, inovação e proteção de dados do FAS Advogados, observa que, em alguns dos ataques recentes, não havia controles como segregação de ambientes e monitoramento de acessos privilegiados. “Quando há terceiros envolvidos, esses controles nem sempre são implementados com a robustez necessárias”, diz.

E não basta pensar em tecnologia, é preciso reforçar ações em processos e pessoas, para inibir ações pela engenharia social. “A gente precisa tratar a segurança como a parte estratégica do negócio com monitoramento contínuo, validação constante de controles, autenticação forte, segmentação de ambientes, auditorias frequentes”, afirma Falchi.

Os investimentos em segurança serão ainda mais determinantes para atuação no ecossistema Pix, na visão de Rodolfo Ramponi, especialista em cibersegurança da Sonda do Brasil. “As instituições que investem em estratégias completas de proteção do ciclo de vida das chaves, autenticação multifator e auditoria constante, transmitem mais confiança ao mercado, blindando sua reputação diante de possíveis incidentes de grande escala”, afirma Ramponi.

O antídoto para a assimetria de maturidade está em regras mais rígidas, diz Fabio Montanari, CEO da Montanari Tecnologia. “A resposta é nivelar por cima, com regras mais duras do BC, integração com padrões de segurança uniformes, monitoramento em tempo real e coordenação rápida para bloqueio e investigação. Isso preserva a confiança no Pix sem penalizar o usuário final”, afirma.

Thiago da Cruz, CEO da 87LABS, enfatiza que a segurança deve ser uma preocupação de todos envolvidos. “Começa no regulador, passa pelos prestadores de serviço e chega até quem movimenta o dinheiro. Esse movimento é positivo porque eleva a responsabilidade de todos os elos da cadeia”, diz. (Com informações do Valor Econômico)

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