Terça-feira, 11 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 8 de novembro de 2017
A abertura de uma simples chamada pública feita pelo MEC (Ministério da Educação) para selecionar avaliadores de livros didáticos virou motivo de disputa virtual nas redes sociais e aplicativos de mensagens. De um lado, “ateus, comunistas, feministas”. Do outro, “cristãos”. Todos mobilizados a “fiscalizar e denunciar” conteúdos que consideram inadequados em materiais que serão selecionados no ano que vem para as escolas públicas.
Uma das convocações é direcionada a “professores ateias/ateus, comunistas, feministas, de comunidade LGBT, das religiões afro-brasileiras, negr@s”, para que aproveitem a oportunidade de fiscalizar “preconceitos contra a esquerda nas obras didáticas”. A outra é um pedido para pastores avisarem nas igrejas a “professores cristãos” que eles têm a chance de “fiscalizar e denunciar conteúdos que promovem a ideologia de gênero”.
As mensagens que circulam nas redes sociais trazem links para acessar o sistema do MEC de inscrição dos interessados, aberta desde a última segunda-feira. Para participar, é preciso ter no mínimo mestrado. Serão selecionados cerca de 600 professores das redes pública e privada da educação básica e da educação superior para fazer avaliação pedagógica de obras didáticas.
Ampliação da acessibilidade
O ministro da Educação, Mendonça Filho, disse que o MEC busca a ampliar acessibilidade e políticas de afirmação de surdos. Segundo ele, está incluído na proposta da Base Nacional Comum Curricular, a formação adequada de professores, “para que a gente possa ter uma política pública cada vez mais inclusiva, respeitando a condição específica dos surdos ou daqueles que têm deficiência auditiva no nosso País”.
Mendonça Filho participou, na última segunda-feira (6), do programa Por Dentro do Governo, produzido pela TV NBR, e comentou o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio deste ano: Desafios para a Formação Educacional de Surdos no Brasil.
Segundo o ministro, o Ines (Instituto Nacional de Educação de Surdos), no Rio de Janeiro, é quem subsidia as políticas públicas para surdos no âmbito do MEC e apoia a sua implementação pelas esferas subnacionais de governo. “Na ponta, quem tem a responsabilidade direta por essas políticas públicas são os estados e municípios. Cabe ao Ministério da Educação induzir e apoiar politicas nacionais de inclusão geral e específicas.”
Com mais de 160 anos de existência, o Ines produz material pedagógico, fonoaudiológico e de vídeos em língua de sinais, distribuídos para os sistemas de ensino. Além de atender em torno de 600 alunos, da educação infantil ao ensino médio, o instituto também forma profissionais surdos e ouvintes no Curso Bilíngue de Pedagogia.
Para Mendonça Filho, a Libras (língua brasileira de sinais) precisa ser cada vez mais incorporada na política educacional brasileira. Por isso, desde 2013, em parceria com a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto, o Ines disponibiliza conteúdo audiovisual acessível ao público surdo e aulas de Libras, por meio da TV INES.
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