Quarta-feira, 15 de julho de 2026

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Colunistas Será que a guerra no Oriente Médio segue o mesmo roteiro da invasão da Ucrânia?

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A questão de prazos para Trump é seu ponto fraco. (Foto: Andrea Hanks/The White House)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Muitos acreditavam que o conflito entre Rússia e Ucrânia não duraria mais de três meses devido às sanções impostas pelos Estados Unidos e pela Europa à combalida economia russa. Pois é, a guerra já dura quase 4 anos e meio e parece ainda distante de seu fim.

O então eleito presidente Donald Trump, em dezembro de 2025, alardeava que terminaria a guerra em uma semana, e já faz um ano e meio. Aliás, a questão de prazos para Trump é seu ponto fraco. Senão, vejamos: errou diversas vezes no que diz respeito aos acordos que encerrariam a invasão da Ucrânia; no final de fevereiro, declarou que a guerra com o Irã não passaria de 6 semanas; anunciou inúmeras datas-limite para o final do conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel. Não acertou sequer uma vez.

Os andamentos dos conflitos são semelhantes: ora melhoram, ora pioram. Há diversas tentativas de acordo, ambos os lados declaram superioridade, mas nada efetivo acontece além de mortes, destruição, ameaças, abalo na economia mundial e perspectiva sombria.

No conflito do Oriente Médio, há a ação direta da maior potência bélica e econômica do mundo e vai ficando cada vez mais claro que, se quiser, de fato, encerrar a guerra, terá que agir de forma mais radical e arcar com as sequelas.

Esperar bom senso do regime ditatorial e teocrático do Irã, que elimina seus opositores com fuzilamento e desaparecimento sumário, como aconteceu nas manifestações populares um pouco antes do início da guerra, em que se estima que mais de 12 mil pessoas foram mortas pela ditadura dos aiatolás; apedreja mulheres por condutas em desacordo com orientações religiosas; e proíbe, punindo rigorosamente, toda e qualquer manifestação popular que seja encarada como ameaça ao regime, seria o mesmo que pedir à raposa faminta que não se aproxime do galinheiro.

Temos o motivo principal do ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que é o enriquecimento do urânio, capaz de produzir armas nucleares de destruição em massa. Este é o cerne da questão.

O Irã nunca permitiu a fiscalização total por parte das autoridades internacionais, como havia se comprometido no acordo que firmou com o então presidente Obama em 2015 e, por isso, ninguém pode garantir o nível de enriquecimento de urânio que ocorreu, nem tampouco a real localização e o potencial das usinas iranianas.

Permitir que este regime tenha armas nucleares é inconcebível, até mesmo para seus aliados de última hora, como China e Rússia. Quem, em sã consciência, ficaria seguro com a viável hipótese de o Irã apertar o botão e dar início à destruição mundial?

Nas duas guerras temos uma potência extremamente forte, até agora discreta e muito organizada: a China. Até quando vale a pena para o presidente Xi Jinping continuar a cacifar a Rússia e o Irã?

A China compra quase todo o petróleo russo e iraniano, fornece suprimentos básicos a estes países, além de suporte logístico e equipamentos militares a ambos. Vale lembrar que a China é a segunda maior economia do mundo e preparou-se para enfrentar estas duas guerras, apesar de não participar diretamente delas.

Se, por um lado, o desgaste financeiro, militar e político dos Estados Unidos agrada ao governo chinês, há dois fatores que tiram o sono de Xi Jinping. O primeiro é imaginar que seu vizinho e recém-aliado radical teocrata islâmico possa ter armas nucleares de médio alcance. O outro é sentir que a economia mundial está sendo duramente castigada com o aumento do preço do petróleo, retração, receio quanto ao crescimento e ao desenvolvimento.

As coisas já não estão como antes para a economia chinesa e, como o mercado interno é incapaz de absorver a gigantesca produção, as exportações são questão de sobrevivência do gigante asiático.

Para o mundo continuar a comprar da China, as economias não podem estar em recessão, com inflação elevada devido ao preço do petróleo, desemprego crescente e sem perspectiva de melhora a médio prazo.

Para o cliente comprar, não basta o produto ser bom ou necessário; é preciso ter dinheiro para pagar. Quanto mais se gasta com a manutenção básica e se percebe que a entrada de dinheiro pode diminuir, ninguém consciente vai manter os gastos elevados. Quem gasta mais para manter-se consome menos aquilo que não é extremamente necessário. O supermercado chinês começa a ter dificuldades em esvaziar as prateleiras.

A realidade é que, enquanto a China não der um basta na Rússia e no Irã, só a utilização de extrema força militar dos Estados Unidos, com todas as sequelas, poderá pôr fim a estes conflitos.

* Dennis Munhoz é jornalista e advogado, foi presidente da TV Record e superintendente da RedeTV!, atualmente atua como correspondente internacional, vice-presidente da Associação Paulista de Imprensa, apresentador e jornalista da Rede Mundial e da Rede Pampa nos Estados Unidos

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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