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Variedades Série “Os Ausentes” lida com o drama dos desaparecidos no Brasil

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A primeira produção brasileira original da HBO Max já está no ar com dez episódios de 45 minutos. (Foto: Divulgação/HBO Max)

De acordo com um levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública, cerca de 80 mil pessoas desaparecem todos os anos no Brasil. Só na Grande São Paulo, foram mais de 24 mil casos em 2019, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ou seja, a cada hora, 8 pessoas somem no País. Com a pandemia, a situação parece ter piorado.

No primeiro trimestre deste ano, os pedidos de busca por pessoas desaparecidas aumentaram 60,2% em relação a 2020, na cidade de São Paulo. É essa realidade o tema da série Os Ausentes, já no ar com dez episódios de 45 minutos, a primeira produção original brasileira da HBO Max, lançada no dia 29 de junho. A série, criada por Maria Carmem Barbosa e Thiago Luciano, tem roteiros dele, de Renê Belmonte e Bruno Passeri.

Na trama, Raul Fagnani (Erom Cordeiro) é um ex-delegado de polícia de São Paulo que, depois do desaparecimento de sua filha Sofia, abriu a agência chamada Ausentes, especializada na procura de pessoas desaparecidas. Muitas vezes, os clientes são pessoas que não podem recorrer às vias oficiais.

“Eu comecei a minha pesquisa na internet, buscando detetives particulares. E é inacreditável o número de pessoas que pagam esses profissionais, seja para descobrir traições ou para buscar gente desaparecida”, disse o ator Erom Cordeiro.

“No caso de pessoas desaparecidas, existe muita gente nesse mercado paralelo. São pessoas que não querem ou não podem recorrer à via institucional, ou porque têm problemas com a Justiça ou pela morosidade da polícia.”

O ator teve uma experiência no passado com o desaparecimento de uma pessoa próxima. “São coincidências trágicas. Anos atrás, alguém com quem trabalhava desapareceu. A gente foi ter notícia anos depois. É preciso ter total sigilo para o andamento pelas vias institucionais. Então eu tive infelizmente um pouco de know-how.”

Mesmo assim, ele ficou assustado com os números de desaparecidos no Brasil. “E há 500 razões: pessoas que querem se desligar de alguma situação, pessoas raptadas para tráfico humano, de órgãos, redes de prostituição”, disse Cordeiro.

Como passou pela mesma coisa, Raul sabe exatamente o que está vivendo quem teve parentes ou amigos desaparecidos. “O Raul tem um buraco gigantesco no peito, na alma. Ele era um policial bem-sucedido e esse trauma da perda da filha causou um rompimento tão grande na vida dele que ele não consegue mais ficar ali”, revelou Cordeiro. “O que o conecta às outras pessoas que vão procurá-lo é a dor, a pressa, o desespero. Sanando a dor do outro, ele tenta sanar a própria dor.”

Os Ausentes examina um caso por episódio, mas também tem arcos maiores envolvendo os personagens principais. “Eu gosto do formato porque sacia a vontade do espectador que quer assistir a um episódio e não necessariamente se comprometer no mesmo momento a ir para o próximo”, afirmou Fioratti.

“Esse comprometimento não é para todos os espectadores. Tem gente que não gosta dessa sensação de ‘agora tenho de ver o outro’. Você sacia a necessidade de desfecho, mas tem também um gancho para aquele espectador que quer fazer o binge-watching (assistir a tudo de uma vez só).”

A série, rodada antes da pandemia, tem muitas cenas de externas, nos mais diversos cantos de São Paulo, da Avenida Paulista à Vila Brasilândia, passando pela região da Represa de Guarapiranga. No total, são mais de cem locações, com dezenas de personagens secundários e centenas de figurantes.

Há muitas cenas de ação, com perseguições e tiros. Para a diretora-geral, foi uma oportunidade e tanto. “Sou apaixonada por séries criminais, de suspense, thriller. Me identifiquei com o assunto, achei que a gente podia desenvolver questões humanas, além da ação, do suspense”, disse.

“E fiquei muito feliz porque é muito difícil mulher ser convidada para fazer a direção-geral, ainda mais de uma série de gênero. Só outras mulheres, como a produtora Mara Lobão e, acima dela, a Silvia Fu, da WarnerMedia, para falar que uma mulher era a melhor escolha.”

Erom Cordeiro, que já tinha experiência com o universo policial, adorou fazer as cenas de ação. “Foi muito empolgante”, disse. Mas seu principal desafio foi atingir a dor sem par de alguém que perdeu um filho. “É algo que não dá para mensurar. Às vezes o desaparecimento é pior que a morte, porque a morte tem a realização. Quando a pessoa desaparece, é mais difícil de lidar com a ausência. Foi muito rico o processo todo. Foi muito doloroso, mas para o bem.”

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