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Mundo Sob pressão, Angela Merkel volta atrás e desiste de quarentena total na Alemanha durante a Páscoa dizendo: “a cupa é só minha”

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A seis meses das eleições gerais, Alemanha atravessa um de seus piores momentos na pandemia. (Foto: Reprodução)

A chanceler Angela Merkel abandonou nesta quarta-feira (24) seu plano de impor uma quarentena total de cinco dias durante a Semana Santa, apesar de o país atravessar um aumento dos casos da covid-19. O recuo é em parte resultado da pressão política sobre a chanceler, em meio à frustração popular após um ano de restrições pandêmicas, acentuada por uma lenta campanha de vacinação.

Ao mesmo tempo, uma crise interna e casos de corrupção põem em xeque a confiança na União Democrata Cristã (CDU), o partido de Merkel, a apenas seis meses das eleições gerais que escolherão seu sucessor na chefia do governo.

“A ideia de uma quarentena na Páscoa foi um erro. Tinha suas razões, mas não poderia ser implementado no curto período de tempo disponível. A culpa é só minha”, disse a chanceler. “Eu obviamente sei que todo este processo está causando incertezas adicionais. Eu me arrependo profundamente e peço perdão a todos os cidadãos.”

O passo atrás veio após uma videoconferência entre Merkel e os governadores dos 16 Estados do país. Na segunda (22), a chanceler já havia se reunido com eles por mais de 12 horas, em um encontro tenso no qual ela defendia ações mais duras, como a reversão do relaxamento das medidas de isolamento, iniciado no final de fevereiro, enquanto os líderes regionais defendiam maior leniência.

Foi depois desse encontro, já na madrugada de terça (23), no horário local, que Merkel anunciou o confinamento total na Páscoa, que incluiria a proibição de cultos religiosos presenciais.

A Alemanha vê uma piora da pandemia desde que as restrições foram afrouxadas no final do mês passado. A média móvel nacional de casos diários no país é hoje de 108 por 100 mil habitantes, com tendências de alta, depois de cair para 56,8 em 19 de fevereiro. O número ultrapassa o chamado “freio de emergência”, de 100 casos por 100 mil habitantes, índice a partir do qual o governo pode reimpor restrições. A ocupação dos leitos de terapia intensiva no país, por sua vez, chega a 85%.

De acordo com o modelo federativo alemão, a maior parte das políticas de contenção da pandemia, em particular as que dizem respeito à saúde e educação, estão nas mãos dos estados. A autonomia da chanceler é limitada, mas isso não impede que sua conduta seja alvo de escrutínio.

Queda de popularidade

Se a quarentena na Páscoa gerou críticas das autoridades de saúde por não a considerarem suficientemente fortes, também despertou a ira de um país frustrado após um ano de restrições de movimento e seus impactos. Associações comerciais elogiaram o recuo da chanceler, afirmando que as restrições causariam uma série de problemas logísticos. Por outro lado, o rendimento dos títulos alemães de 10 anos chegou ao seu menor valor em cinco semanas diante do temor de um aumento dos casos de covid-19.

O descontentamento com a lenta vacinação é outro agravante para a piora sanitária: apenas 9,3% dos alemães receberam ao menos uma dose do imunizante. No Reino Unido, em contraste, os vacinados já são 43%, e nos Estados Unidos, 25%. Para os mais eurocéticos, a chanceler apostou demasiadamente na centralização da compra e da distribuição de doses pelo bloco europeu, que vem sendo criticado por seus tropeços.

Em paralelo, a CDU se vê envolta na sua pior crise em décadas a seis meses do pleito de setembro, que porá fim aos 16 anos da era Merkel, depois que a chanceler anunciou em 2018 que o atual seria seu último mandato. Em 15 dias, o apoio à CDU e ao seu partido-irmão na Baviera, a União Social-Cristã (CSU), caiu quatro pontos percentuais, chegando a 29%, seu menor patamar em um ano. Em maio de 2020, diante do controle da primeira onda da pandemia, a dupla CDU-CSU chegou a registrar 39%.

Segundo a pesquisa divulgada no último dia 19 pelo instituto Infratest Dimap, os verdes mantiveram-se com 20% de apoio, enquanto o Partido Social-Democrata (SPD) cresceu um ponto percentual em duas semanas, chegando a 17%. A sigla de extrema direita Aliança para a Alemanha (AfD) manteve seus 11%, confirmando seu enfraquecimento desde que a pandemia começou. O Partido Democrático Liberal (FDP), por sua vez, cresceu dois pontos, chegando a 10%.

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