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Ciência SpaceX e Amazon: entenda a outra corrida espacial dos bilhões

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Lançamento de satélites da Starlink no Kennedy Space Center, na Flórida (EUA), em 18 de janeiro de 2022. (Foto: Divulgação/SpaceX)

Além de concorrerem no turismo espacial, os bilionários Elon Musk e Jeff Bezos mantêm uma disputa no ramo de internet via satélite. Ambos trabalham nas chamadas “constelações de satélites”, que têm o objetivo de levar conexão para áreas remotas em todo o planeta.

A SpaceX, de Elon Musk, está à frente na corrida e já lançou mais de 1.800 satélites. A empresa quer chegar a uma rede com 42.000 equipamentos em operação no espaço, mas precisa do sinal verde da Comissão Federal de Comunicações (FCC), equivalente americana da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Já a Amazon, de Jeff Bezos, trabalha no Project Kuiper. A companhia não tem satélites em operação, mas, em novembro de 2021, recebeu autorização da FCC para operar uma constelação com 3.236 unidades.

Mas por que Musk e Bezos investem na internet via satélite quando já existe fibra óptica? A resposta pode estar na própria fibra óptica: para oferecerem esse tipo de internet, as empresas precisam criar uma grande rede de cabos, o que não é viável financeiramente para qualquer local.

É comum que esse tipo de infraestrutura se concentre nas cidades onde os provedores entendem que terão um retorno considerável. Em regiões remotas, a oferta desses serviços é limitada e, em alguns casos, é preciso recorrer ao serviço de internet via satélite, que já é oferecido por várias empresas.

Satélites diferentes

A internet via satélite existe há anos, mas Musk, Bezos e outros investem em outro modelo do serviço. Hoje, a maioria dos provedores desse tipo de rede usa grandes satélites em órbita geoestacionária, isto é, que acompanham a rotação da Terra e permanecem sobre uma mesma região.

No caso do Starlink e do futuro serviço da Amazon, os satélites ficam na chamada órbita terrestre baixa, mais próxima da Terra. Eles estão próximos à Estação Espacial Internacional e ao telescópio Hubble.

Com uma distância menor, os novos satélites prometem diminuir a latência, que indica quanto tempo uma informação leva para sair de um ponto e chegar ao seu destino. Nos dois casos, porém, o foco está em regiões distantes de grandes centros.

Marcelo Zuffo, membro do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) e professor do Deparamento de Engenharia de Sistemas da Poli-USP, afirma que uma vantagem da internet via satélite está no fato de ela levar conexão onde não há outras opções disponíveis.

“Você pode oferecer infraestrutura onde não chega internet, como em um navio no meio do oceano, na Antártica ou na Amazônia”, afirma. “Há várias oportunidades de negócio para regiões remotas”

É rápido?

Entre as duas empresas, apenas a SpaceX já está operando. A empresa conta com 145 mil clientes em 25 países, segundo dados divulgados no início de janeiro pela “CNBC”.

A Starlink diz em seu site que os usuários podem contar com “latência de até 20 ms (milissegundos) na maioria dos locais”, mas um levantamento da SpeedTest indicou que a média ficou em 44 ms nos Estados Unidos durante o terceiro trimestre de 2021.

A latência da Starlink é menor do que a registrada nos EUA pelas empresas de internet via satélite tradicional HughesNet e Viasat, que ficaram em 744 ms e 629 ms, respectivamente, no mesmo período. Por outro lado, a latência de provedores de banda larga fixa ficou em 15 ms.

A empresa de Elon Musk espera alcançar velocidade de 1 Gb/s (gigabit por segundo), mas admite que hoje ela fica entre 100 Mb/s e 200 Mb/s (megabits por segundo). O SpeedTest indica que, no terceiro trimestre de 2021, a velocidade média de download da provedora nos EUA foi de 87,25 Mb/s.

Nesse intervalo, a HughesNet e a ViaSat tiveram velocidade média de download de 19,30 Mb/s e 18,75 Mb/s, enquanto provedores de banda larga fixa ficaram em 119,84 Mb/s, na média.

É barato?

Para se tornar cliente do serviço da Starlink, é preciso primeiro comprar um kit com antena, roteador e cabos por US$ 499 (cerca de R$ 2.700, na cotação de 20 de janeiro). Depois, há uma mensalidade de US$ 99 (R$ 530) para desfrutar da internet.

Roberto Onody, professor do Instituto de Física de São Carlos da USP, avalia que o custo poderá ser um entrave para a Starlink. “A desvantagem é o preço do equipamento e da assinatura, esse é um contra bastante importante”, afirma.

Ele também aponta que a empresa de Elon Musk deverá ter dificuldades para conseguir clientes em cidades muito populosas.

Para Zuffo, os preços podem cair no futuro. “Esses custos tendem a diminuir, mas hoje é um pouco inacessível para o cidadão comum. Mas, se você está em uma fazenda e não tem acesso à internet, pode valer a pena”, afirma.

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