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Eleições 2026 Supermercado vira arma da direita contra o governo

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Da hiperinflação, em 1989, ao "Bolsocaro", há quatro anos, tema é recorrente em pleitos. (Foto: GAI Media)

Em um cenário em que a maioria da população avalia que os preços dos alimentos estão em alta e que a economia piorou, segundo pesquisas recentes, a direita tem intensificado o discurso sobre o impacto dos gastos das famílias brasileiras com o supermercado, tema recorrente nas eleições. Ao criticar o governo Lula em seu primeiro dia de campanha, no domingo, na Praia de Copacabana, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) explorou o tema, assim como fez nas redes sociais outros candidatos da direita, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

Para ilustrar a situação, Flávio pediu que o público imaginasse como um casal sem dinheiro poderia comprar tudo o que a filha deseja.

“Na hora de passar as compras no caixa, passa o leite, passa o arroz, passa o feijão, passa a fralda. Aí, quando passa o sabão em pó, acabou o dinheiro”, disse o candidato.

Nikolas publicou um vídeo listando críticas à gestão petista. Numa das cenas, uma mulher percorre um supermercado enquanto a gravação destaca os preços nas gôndolas. Diante dos valores do café, do leite, dos ovos e da carne, a personagem diz que não conseguirá pagá-los. Nikolas, então, aparece e pergunta: “Já reparou o que está dando para comprar com R$ 100 hoje em dia?”.

Os preços nos supermercados e seus efeitos sobre o poder de compra são temas nas eleições presidenciais desde a redemocratização. Em 1989, o combate à hiperinflação pautou as propostas dos candidatos na primeira disputa após a ditadura. Cinco anos depois, a estabilização promovida pelo Plano Real tornou-se o principal ativo político de Fernando Henrique Cardoso e contribuiu para sua vitória.

Na eleição de 2022, a campanha de Lula apresentou na propaganda eleitoral o quadro Supermercado Bolsocaro, que destacava a alta dos preços durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Quatro anos depois, o petista virou alvo.

“É uma estratégia que pega no bolso do cidadão. Se o feijão está mais caro, a pessoa sente. O oposto também vale: uma inflação controlada pode ajudar a reeleger um governo e preservar sua popularidade mesmo diante de crises políticas, como ocorreu no primeiro governo Lula durante o mensalão”, afirma Marco Antônio Teixeira, coordenador do mestrado e do doutorado profissional em Gestão e Políticas Públicas da FGV-Eaesp.

Outros fatores

Embora o discurso da oposição associe a alta dos preços às decisões do governo Lula, especialistas ressaltam que a inflação também é influenciada por fatores externos, como cotações internacionais, condições climáticas e quebras de safra. O IPCA, índice oficial de inflação, avançou 0,07% em julho, ante 0,16% em junho. A desaceleração, porém, não significa que os produtos tenham retornado a valores anteriores.

Segundo Luis Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners, isso ocorre porque a inflação mede a variação dos preços, não o patamar em que eles se encontram:

“O índice reúne produtos que estão subindo e outros que estão caindo. A sensação do consumidor depende do que ele coloca no carrinho: pode ser que, naquele dia, tenha comprado justamente os itens que encareceram.”

Além da alta dos preços, Flávio citou no discurso em Copacabana a redução do tamanho das embalagens e associou o fenômeno à política econômica do governo do PT.

“Aqueles que ainda estão conseguindo comprar estão levando menos comida para casa. Um pacote de Bis que tinha 20 unidades hoje tem 16. Um rolo de papel higiênico que tinha 40 metros hoje tem 36. Uma barrinha de chocolate que antes tinha 200g hoje tem 160g. A dúzia de ovos hoje tem dez ovos”, disse.

“Redução”

O fenômeno mencionado é conhecido como reduflação: a diminuição da quantidade, do peso ou do tamanho de um produto sem redução proporcional do preço, que pode permanecer estável ou até subir.

Segundo André Braz, coordenador dos Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), a prática costuma ganhar força em períodos de aumento dos custos de produção:

“A política econômica pode influenciar custos importantes para empresas, principalmente por meio do câmbio, dos juros, da tributação, da atividade econômica e das expectativas de inflação. Mas alterar tamanho de embalagem é uma decisão da empresa diante de sua estrutura de custos, da concorrência e da reação esperada dos consumidores.”

O economista ressalta que a reduflação não se restringe ao Brasil nem surgiu no atual ciclo político. A prática existe há décadas e pode atingir diferentes produtos, com intensidades variadas. A redução da metragem dos rolos de papel higiênico, por exemplo, já era mencionada em reportagens durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Embalagens menores de ovos e de Bis apareciam em reportagens de 2022, último ano do governo de Jair Bolsonaro. (Com informações do jornal O Globo)

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