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Mundo Talibã hasteia bandeira em Cabul e inicia novo governo no Afeganistão

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Bandeira foi hasteada no dia do aniversário de 20 anos dos atentados contra as Torres Gêmeas e o Pentágono, nos Estados Unidos. (Foto: EPA/Ansa)

O grupo fundamentalista islâmico Talibã hasteou sua bandeira no palácio presidencial do Afeganistão, em Cabul, no último sábado (11), dia do aniversário de 20 anos dos atentados contra as Torres Gêmeas e o Pentágono, nos Estados Unidos.

Realizados pela Al-Qaeda, os ataques de 11 de setembro de 2001 serviram de estopim para a invasão americana no Afeganistão, que culminaria na derrubada do regime dos talibãs. O grupo, no entanto, retornou ao poder em agosto passado, após a retirada das tropas dos EUA e da Otan.

A bandeira branca com um versículo do Alcorão escrito em letras pretas foi hasteada pelo novo primeiro-ministro afegão, o mulá Mohammad Hassan Akhund, marcando o início oficial do governo interino do Talibã.

Contrariando as promessas de formar um gabinete inclusivo, o grupo fundamentalista nomeou apenas homens para o Executivo.

Mulheres

O Talibã permitirá que as mulheres estudem na universidade, desde que o façam separadamente dos homens, confirmou, neste domingo (12), o ministro do Ensino Superior do novo regime afegão.

“Nossos combatentes assumiram suas responsabilidades” ao reconquistar o poder, disse o ministro Abdul Baqui Haqqani, em um coletiva de imprensa na capital do Afeganistão, Cabul, na qual destacou a importância do sistema universitário.

O Ocidente acusa o regime Talibã de querer negligenciar a educação.

“A partir de agora, a responsabilidade pela reconstrução do país cabe às universidades. E estamos esperançosos, porque o número de universidades aumentou consideravelmente”, em comparação com a época do primeiro regime talibã (1996-2001), disse ele.

“Isso nos deixa otimistas para o futuro, para construir um Afeganistão próspero e autônomo. Devemos fazer bom uso dessas universidades”, acrescentou o ministro.

Ele também confirmou que o governo vai proibir as aulas mistas nas universidades, que eram permitidas pelo governo anterior – deposto em meados de agosto.

“Isso não representa nenhum problema para nós. São muçulmanos e vão aceitar isso. Decidimos separar (homens e mulheres) porque as classes mistas são contrárias aos princípios do Islã e às nossas tradições”, afirmou o ministro.

Segundo ele, a educação mista foi imposta pelo governo pró-Ocidente dos últimos 20 anos, apesar do fato das universidades solicitarem aulas separadas para mulheres e homens.

O novo governo Talibã anunciou na semana passada que permitiria que as mulheres estudassem na universidade, sob condições estritas: usar véu completo e em aulas separadas dos homens ou divididas por uma cortina se houver poucas meninas.

O anúncio preocupa algumas universidades, que afirmam não ter meios materiais e financeiros para se adequar à separação por sexo e que isso pode estimular os alunos (frequentadores de turmas mistas) a deixar o país para estudar no exterior.

Também preocupa a Unesco, que estimou na sexta-feira (10) que o “imenso” progresso feito desde 2001 na educação no Afeganistão está em “perigo” com os talibãs e alertou para os riscos de uma “catástrofe geracional” que poderia afetar o desenvolvimento do país “por anos”. As informações são das agências de notícias Ansa e AFP.

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