Segunda-feira, 30 de março de 2026
Por Redação O Sul | 10 de julho de 2025
A tarifa de 50% sobre produtos do Brasil anunciada na quarta-feira (9) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu uma guerra de versões entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente Jair Bolsonaro. Governistas atribuem a decisão à campanha em solo americano para criticar o julgamento de Bolsonaro e tachá-lo como perseguido político, enquanto bolsonaristas culpam o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF) e veem postura “antiamericana”.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reiterou nessa quinta-feira (10) seu “respeito e admiração” pelo governo dos EUA após Donald Trump anunciar tarifa de 50% para produtos brasileiros. Foi sua primeira resposta ao tarifaço americano contra o país.
“A medida é resultado direto do afastamento do Brasil dos seus compromissos históricos”, disse Bolsonaro. No X (antigo Twitter), o ex-presidente afirmou que o país está indo contra “a liberdade, o Estado de Direito e os valores que sempre sustentaram nossa relação com o mundo livre”.
“Isso jamais teria acontecido sob o meu governo”, afirmou Bolsonaro. Segundo ele, a suposta perseguição do Poder Judiciário não se limita a ele, mas abrange “milhões de brasileiros que lutam por liberdade e se recusam a viver sob a sombra do autoritarismo”. “O Brasil caminha rapidamente para o isolamento e a vergonha internacional”, disse.
Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nessa quinta-feira (10) que o ex-presidente Jair Bolsonaro “deveria assumir a responsabilidade” pela imposição de tarifas de 50% dos Estados Unidos a produtos importados do Brasil. Segundo o petista, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teria atuado diretamente para convencer Donald Trump a adotar medidas contra o País – o que seria uma forma de retaliação ao avanço das investigações judiciais que envolvem seu pai.
“O ex-presidente deveria assumir a responsabilidade porque ele está concordando com a taxação do Brasil. Aliás, foi o filho dele que foi lá fazer a cabeça do Trump, que começa uma carta tentando fazer um julgamento de um processo que está na mão da Suprema Corte. É um processo que não tem julgamento político não, se nos autos dizer que a pessoa errou, será condenado. É assim que é o Brasil”, disse.
Para deputados governistas, a medida representa um ataque à soberania nacional e ao povo brasileiro. Eles responsabilizaram o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por ter influenciado a retaliação. O parlamentar, que está morando nos EUA e tem como alvo o ministro Alexandre de Moraes, do STF, divulgou nota em que citou “abusos” do Judiciário e do establishment político como razão para a ofensiva tarifária.
Eduardo foi apontado por membros da esquerda como o maior responsável por influenciar a decisão. “Não consigo imaginar um ataque tão forte à soberania nacional e aos interesses do Brasil”, afirmou o líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias. “Isso terá consequências para a economia e para o povo brasileiro. O que mais impressiona é a carta do Trump ao Lula e a motivação política. Não tenho dúvidas de que a extrema direita bolsonarista articulou meticulosamente essas sanções nos EUA.”
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) apontou “interferência indevida” no país. “Aceitar passivamente ou aplaudir agressão ou chantagem […] é agir contra o país e contra o Brasil.” Para Duda Salabert (PDT-MG), “quem foi atacado não foi o STF nem o governo Lula, mas o povo brasileiro”.
A nota de Eduardo assinada também pelo influenciador Paulo Figueiredo – que vive nos EUA e é um dos alvos no julgamento da trama golpista –, diz que o Brasil vive um momento de “aventura autoritária” e que “uma hora a conta chega”.
“Nos últimos meses, temos mantido intenso diálogo com autoridades do governo do governo do presidente Trump – sempre com o objetivo de apresentar, com precisão e documentos, a realidade que o Brasil vive hoje”, afirmam os autores.
Na nota, eles dizem que agora “empresas brasileiras que desejarem acessar o maior mercado consumidor do planeta estarão sujeitas ao que se pode chamar de ‘tarifa-Moraes’”.
Os autores também apelam “para que as autoridades brasileiras evitem escalar o conflito e adotem uma saída institucional que restaure as liberdades. Cabe ao Congresso liderar esse processo, começando com uma anistia ampla, geral e irrestrita, seguida de uma nova legislação que garanta a liberdade de expressão – especialmente online – e a responsabilização dos agentes públicos que abusaram do poder”.
Horas antes do anúncio de Trump, uma comissão da Câmara tinha aprovado uma moção de louvor e regozijo a Trump. A homenagem, por iniciativa do deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL, passou na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. O colegiado era presidido por Eduardo e hoje está na mão de Filipe Barros (PL-PR).
Depois da medida de Trump, Barros afirmou em rede social que “todos os que perseguiram a direita e todos os que se omitiram diante disso são culpados pela atual situação, que agora culmina em uma sanção internacional contra o nosso país”.
Parlamentares e influenciadores bolsonaristas culparam o governo Lula por ter, segundo eles, assumido o risco de retaliação por causa do alinhamento ideológico a países autoritários. “Parabéns, Lula, você conseguiu ferrar o Brasil! Está aí o resultado do vexame da sua política internacional ideologizada”, escreveu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), outro filho do ex-presidente. As informações são dos jornais Valor Econômico e O Globo e do portal de notícias UOL.
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