Quarta-feira, 15 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 14 de julho de 2025
A tarifa de 50% que os Estados Unidos decidiram cobrar sobre os produtos do Brasil tem impactos diretos nas exportações e pode levar a uma redução no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de até 0,41%, segundo cálculos do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro).
Em nota técnica, os pesquisadores Angelo Gurgel, Cícero Lima e Leonardo Munhoz estimam que a tarifa adicional levaria a uma redução de 75% nas exportações do agronegócio para os EUA (o equivalente a US$ 9 bilhões), já que os produtos brasileiros ficariam bem mais caros do que os concorrentes internacionais.
O tarifaço eleva os preços ao consumidor e pode reduzir o consumo, dizem os pesquisadores. Cerca de 30% das exportações brasileiras para os EUA são do agronegócio, o equivalente a US$ 12,1 bilhões, com destaque para café em grão, pastas químicas de madeira e carne bovina. Os pesquisadores observam que já há cobrança de tarifas elevadas sobre alguns produtos, como é o caso de suco de laranja (10,94%) e açúcar (19,79%).
Os Estados Unidos representam 2,5% das importações agrícolas brasileiras, somando US$ 1 bilhão, concentrados em insumos como sementes, lactoalbumina, enzimas e rações.
Estimativa
Em outra frente, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda aumentou, de 2,4% para 2,5%, a estimativa de crescimento da economia brasileira neste ano. A previsão consta do Boletim Macrofiscal, divulgado pelo órgão. Em relação à inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o documento reduziu de 5% para 4,9% a projeção para 2025.
Em relação ao desempenho da economia, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país) aumentou após a revisão para cima das estimativas para a produção agropecuária e por causa do bom desempenho do mercado de trabalho. O levantamento, no entanto, não considera os possíveis efeitos do tarifaço do governo Donald Trump sobre a economia brasileira, porque os números foram fechados antes.
Apesar de ter elevado a previsão de crescimento para o PIB, a SPE prevê desaceleração da economia no segundo semestre. Para 2026, a estimativa de crescimento caiu de 2,5% para 2,4%.
Em relação ao IPCA, a projeção continua acima do teto da meta de inflação para o ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%. Para 2026, a estimativa de inflação foi mantida em 3,6%.
Em relação às ameaças do governo de Donald Trump, a SPE informou que os impactos da elevação de tarifas de 10% para 50% se concentrarão em alguns setores da economia. “A carta que comunicou a elevação da tarifa justifica a decisão por razões apenas políticas, gerando grande insegurança. O impacto da medida deve ser concentrado em alguns setores específicos, influenciando pouco a estimativa de crescimento em 2025”, informou o documento. As informações são do site Globo Rural e da Agência Brasil.
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