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Brasil Tarso Genro nega que esteja saindo do PT e nega também candidatura

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Ex-governador rebateu, no Twitter, boatos de que a insatisfação com a atual conjuntura poderia motivá-lo a trocar o PT pelo PSOL. Foto Dida Sampaio/AE

Em uma série de mensagens publicadas domingo em sua conta na rede social Twitter, o ex-governador gaúcho Tarso Genro voltou a desmentir que planeje deixar o seu partido. “Circulou ontem uma nota de que estou saindo do PT: falta de informação, mentira deslavada ou interesse que eu saia? Ou os três”, questionou o texto.

As palavras de Tarso foram uma resposta à informação publicada sábado pelo jornalista Cláudio Humberto em sua coluna distribuída para veículos de imprensa de todo o País. Atribuindo os rumores a militantes do próprio PT, o texto sugeriu que o ex-governador está prestes a migrar para o PSOL. A motivação seriam a insatisfação com os rumos do governo da presidenta Dilma Rousseff.

“Reservadamente, ele acusa o governo Dilma de trair bandeiras históricas da sigla e cita o pacotão de maldades fiscais como exemplo. Partido da filha Luciana Genro, o PSOL, pode ser o paradeiro do ex-ministro de Lula. A lista dos insatisfeitos tem ainda o deputado Paulo Teixeira (SP) e o prefeito Fernando Haddad (SP), poste de Lula”, escreveu Humberto. “A senadora Marta Suplicy (SP) abriu a porta do desembarque e andam insatisfeitos os senadores Paulo Paim (RS) e Walter Pinheiro (BA).”

“Tarso Genro avalia que o PT abandonou a política de esquerda. A rendição de Dilma ao PMDB também não é perdoada pelo ex-ministro. Dilma é alvo constante de Tarso. Publicamente, diz que o ajuste fiscal é constrangedor. Em particular, ele chama o ajuste de ‘traição’”, prosseguiu o colunista. O texto foi ainda mais incisivo, ao falar que “petistas ironizam a saída de Tarso, propondo troca pela filha Luciana Genro. Alegam que ela tem mais votos que o pai.”

“Esperem sentados a minha saída”, ironizou Tarso, um dos fundadores da legenda no começo da década de 1980. “Sou de um bloco minoritário no PT, e que quer renová-lo. Vou continuar trabalhando para isso.” A suposta troca partidária já havia sido rejeitada, no sábado, através da assessoria do petista.

Candidatura

A hipótese de um retorno a cargos eletivos também foi rechaçada de forma enfática. “Não sou candidato a nada, em lugar nenhum”, assegurou. Sinalizando preocupação com a atual conjuntura, porém, ele ainda chamou a atenção para a necessidade de maior coerência partidária. “Eleições são fundamentais, mas não vale a pena fazer algumas concessões para ganhar e depois não poder governar com programa.”

“Sou um aliancista, mas as alianças não podem ferir os princípios programáticos. Isso não é uma depreciação de qualquer partido, é concepção estratégica”, prosseguiu. “Entendo que todos os partidos devem buscar renovação, promovendo, ao seu modo, a proibição do financiamento empresarial das campanhas eleitorais. Mas isso é uma questão de cada Partido, cuja discussão é problema de cada um deles. Eu brigo dentro do meu.”

Na avaliação de Tarso, as críticas à sigla têm se originado em segmentos que não estão no poder, no atual contexto da sigla. “O que me diferencia da maioria partidária é que eu defendo renovar a nossa política de alianças, a fim de sermos mais programáticos”, argumentou.

Sartori

Ainda no sábado, após vários meses sem se manifestar sobre a administração de seu sucessor no Palácio Piratini, José Ivo Sartori (PMSB), Tarso repercutiu a decisão de parcelar os salários de parte do funcionalismo, anunciada um dia antes pelo atual governador do Estado.

“Deixo sempre claro que é uma visão de gestão: defendo que não se sai de uma crise sem crescimento e com diminuição do serviço público”, argumentou. “O que tem ocorrido é que os ajustes dessa linha só têm trazido aumento de impostos e desemprego.” (Marcello Campos)

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