Sexta-feira, 07 de Agosto de 2020

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Ciência Telescópio flagra o desaparecimento misterioso de uma estrela massiva

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Ilustração mostra como poderia ser a estrela massiva de luz, da galáxia Kinman Dwarf, antes de seu misterioso desaparecimento. (Foto: Reprodução)

Usando o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO), astrônomos descobriram o desaparecimento de uma estrela massiva, de luz azulada e instável, localizada na galáxia anã Kinman, da constelação de Aquário, a cerca de 75 milhões de anos-luz da Terra.

Os cientistas acreditam que isso possa indicar que a estrela se tornou menos brilhante e foi parcialmente coberta por nuvens de poeira. Outra hipótese é a de que o astro entrou em colapso e se transformou em um buraco negro sem produzir uma supernova. Se a segunda teoria se provar verdadeira, essa seria a primeira detecção direta desse tipo de morte de uma estrela massiva.

Entre 2001 e 2011, a misteriosa estrela foi estudada por diversos cientistas, e suas observações indicaram que, além de ser 2,5 milhões de vezes mais brilhante do que o Sol, ela estava no estágio final de sua evolução. Em 2019, quando Andrew Allan, do Trinity College Dublin, na Irlanda, e seus colaboradores decidiram observá-la para estudar como as estrelas massivas “morriam”, não conseguiram encontrá-la mais.

Em agosto de 2019, o grupo virou o instrumento Espresso em direção à estrela, usando os quatro telescópios de oito metros do VLT simultaneamente. Mesmo assim, os especialistas não conseguiram encontrar sinais da estrela variável luminosa azul que habitava a galáxia anã Kinman. Meses depois, eles utilizaram o instrumento X-shooter para tentar localizá-la novamente, mas, de novo, não encontraram rastro algum, o que os deixou perplexos. “Seria altamente incomum uma estrela tão grande desaparecer sem produzir uma explosão brilhante de supernova”, afirma Andrew Allan, em comunicado.

Dados de estudos anteriores já indicavam que a estrela da galáxia Kinman poderia estar passando por um forte período de explosão que provavelmente terminou algum tempo após 2011. Estrelas variáveis luminosas ​​azuis como esta tendem a sofrer explosões gigantescas ao longo de sua vida, causando picos na taxa de perda de massa e aumentos drásticos em sua luminosidade. Por isso, os cientistas apostam nas duas hipóteses. A primeira — e mais provável — é a de que, após explodir, a estrela massiva tenha se tornado uma estrela menos luminosa, que pode ter sido coberta por poeira também. Outra alternativa é a de que o astro pode ter se transformado em um buraco negro, pulando a etapa da explosão em supernova. Este seria um evento muito raro, já que sabe-se que a maioria das estrelas massivas terminam suas vidas em uma supernova.

Pesquisas futuras serão necessárias para confirmar o que de fato aconteceu com a estrela. A inauguração do Extremely Large Telescope (ELT) do ESO, marcada para 2025, poderá ajudar os cientistas a observarem astros tão distantes quanto este e a resolverem este e outros mistérios do Espaço.

O artigo sobre a descoberta do desaparecimento da estrela massiva será publicado na edição de agosto da Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

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