Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 7 de novembro de 2017
Em um vídeo divulgado nesta terça-feira (7) no Twitter, o presidente Michel Temer pediu apoio aos cidadãos brasileiros para aprovar a reforma da Previdência, em tramitação no Congresso Nacional.
“Toda a minha energia está voltada para concluir a reforma da Previdência”, disse. Temer tem mantido um diálogo intenso com o Legislativo para debater a proposta. O presidente reuniu-se com os presidentes da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE), e também os líderes da base aliada.
“Verifiquei nesses líderes a disposição de produzir uma reforma da Previdência para o nosso País”, ressaltou. “A reforma previdenciária é fundamental para o nosso País, para que o País continue a desenvolver-se como vem desenvolvendo até o presente momento”, disse.
No entanto, o Palácio do Planalto não tem força política para bancar a aprovação da matéria. Assessores de Temer afirmam que ele e seu governo se sentem praticamente sozinhos na batalha pela reforma da Previdência. E que, atualmente, o Executivo federal não tem os votos para aprovar a proposta e isso teria ficado mais do que comprovado na reunião com os líderes.
A única possibilidade de uma votação da reforma neste ano seria, na visão de interlocutores de Temer, se a missão fosse abraçada também pelos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), empresariado e governadores.
Na reunião desta terça-feira com Temer, os líderes da base aliada no Senado teriam avisado o governo que a atual proposta de reforma previdenciária, da forma como está hoje, não tem condições de ser aprovada e precisa ser simplificada. A informação foi dada à agência de notícias Reuters por fontes que acompanharam o encontro.
Ao Blog de Valdo Cruz, do portal de notícias G1, o presidente admitiu que, “sozinho”, seu governo não conseguirá aprovar a reformulação do sistema previdenciário. “Vou insistir, vou me empenhar, mas concordo que, sozinho, o governo não tem condições de aprovar a reforma da Previdência”, disse.
Má gestão
Na última sexta-feira (3), o senador Paulo Paim (PT-RS), que presidiu a CPI da Previdência, destacou que o relatório final apresentado pelo senador Hélio José (Pros-DF) e aprovado pelo colegiado indica que a Previdência Social não é deficitária, mas sofre com má gestão.
O relatório alega haver inconsistência de dados e de informações anunciadas pelo Poder Executivo, que “desenham um futuro aterrorizante e totalmente inverossímil”, com o intuito de acabar com a previdência pública e criar um campo para atuação das empresas privadas.
“Nós falamos há décadas e décadas que a Previdência é superavitária. Eles diziam que não. Veio, então, a DRU [Desvinculação das Receitas da União] e tirou 20%. Como eu tiro 20% de algo que sei que não tem caixa? Só vou tirar do que tem. Vem o governo atual e retira 30% ainda. É porque ele sabe que tem lastro, ele sabe que tem fundo”, argumentou Paim.
O senador fez um apelo para que o governo retire a PEC 286/2017, em tramitação na Câmara dos Deputados, que muda as regras para aposentadoria.
“Eu quero que esse governo do presidente Temer tenha um mínimo de bom senso, recolha essa reforma da Previdência, que a arquive. Pode dizer o que você quiser, pode dizer que tentou e que a CPI veio com outros dados e criou uma contradição. Argumente como quiser, mas retire essa reforma e deixe que um governo eleito pelo voto direto em 2018 e o Congresso se debruce sobre uma proposta com profundidade”, pediu o senador.
Eliseu Padilha
Em outro vídeo também gravado para as redes sociais nesta terça-feira, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, reforçou que é indispensável que o Brasil faça uma reforma da Previdência. “Nós necessitamos indubitavelmente de uma reforma da Previdência”, afirmou o ministro. “Não podemos entrar em 2019 sem a reforma da Previdência”, disse.
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