Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 13 de julho de 2021
Eis a nova profecia sem embasamento das teorias de conspiração que proliferam nas margens das redes sociais: Donald Trump, de alguma maneira, tomará novamente posse como presidente dos Estados Unidos tão brevemente quanto no mês que vem.
Ainda assim, as alegações — impulsionadas por adeptos da QAnon e pelo diretor executivo e promoter da empresa My Pillow, Mike Lindell — são suficientes para acender o alerta de Christopher Wray, o diretor do FBI, e outros funcionários do alto escalão da Segurança Nacional dos Estados Unidos. O temor é que os apoiadores mais fervorosos do ex-presidente possam novamente recorrer à violência.
Wray e seus colegas, atormentados pelas críticas de que não estavam suficientemente preparados para o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio, que deixou cinco mortos, se veem diante de um impasse.
Ao contrário de janeiro, quando Trump convocou seus apoiadores para Washington como parte de sua cruzada para bloquear a certificação de Joe Biden como presidente, as ameaças que atualmente circulam na internet são amorfas no que diz respeito a hora e lugar.
Sem uma noção clara do que é crível e do que é apenas barulho on-line, as agências responsáveis pela aplicação da lei precisam estar alertas por todo o país, disse John Demers, ex-chefe da Divisão de Segurança Nacional do Departamento de Justiça, que deixou o cargo recentemente.
“O desafio é como o do guarda que precisa se manter vigilante. Quando não há nada acontecendo, algo pode acontecer em um instante”, disse Demers em uma entrevista. “Então, é necessário estar pronto.”
No entanto, também há um ponto positivo, ele diz. Não há um ponto de concentração para as pessoas tão grande como em 6 de janeiro, quando o Congresso estava contando, em uma sessão conjunta, os votos do Colégio Eleitoral para oficialmente confirmar a vitória de Joe Biden.
A situação é reflexo de um desafio de longo prazo para o FBI e para Wray, que começará em agosto o quinto ano de seu mandato de uma década: como desenvolver fontes melhores e conduzir análise de dados “para separar o joio do trigo” na enxurrada diária de trocas nas redes sociais e em outras plataformas, disse o diretor à Comissão de Orçamento do Senado em junho.
O FBI e o Departamento de Segurança Interna vêm fornecendo informações a funcionários nos níveis federal, estadual e local sobre riscos de terrorismo doméstico durante o verão do Hemisfério Norte.
Em junho, o Departamento de Segurança Nacional emitiu um documento afirmando que seguidores da teoria da conspiração QAnon poderiam se tornar violentos pois sua expectativa de que Trump fosse empossado em janeiro não foi cumprida. Alguns deles creem que “têm uma obrigação de passarem de soldados digitais ao engajamento com violência no mundo real”, diz o documento.
O Departamento de Justiça e o FBI já acusaram formalmente mais de 530 pessoas pela violência durante a invasão do Capitólio. Cerca de 40 delas respondem por crimes de conspiração, de acordo com as estatísticas mais recentes.
Na semana passada, promotores do Departamento de Justiça se opuseram ao pedido feito por um dos participantes da invasão para remover sua tornozeleira eletrônica e o GPS que o rastreia.
Em um documento apresentado ao tribunal, as autoridades disseram que “Trump continua a fazer acusações falsas sobre a eleição, insinuar que pode ser novamente empossado como presidente em um futuro próximo, sem novas eleições, e a minimizar o ataque violento ao Capitólio. Redes de televisão continuam a veicular e noticiar tais alegações, com algumas delas dando credibilidade às informações falsas”.
Lindell, o fundador da MyPillow, empresa que comercializa travesseiros, disse em uma entrevista por telefone que irá apresentar em um “simpósio virtual”, marcado para ocorrer entre os dias 10 e 12 de agosto, evidências de que Trump ganhou o pleito. Ele afirma esperar que alguns Estados levem as supostas provas para a Suprema Corte.
Ele não sugeriu, pessoalmente, que se recorra à violência para pôr o ex-presidente novamente no Salão Oval.
Independentemente das ameaças serem ou não críveis, Wray está sob pressão para não perder novamente os sinais de alerta — algo que críticos sugerem que a liderança do FBI fez em janeiro.
Em um comunicado na manhã de segunda-feira (12), o FBI disse que “continua a trabalhar com parceiros nas esferas federal, estadual, tribal e local para detectar e interromper quaisquer ameaças potenciais às comunidades que servimos. Os homens e mulheres do FBI continuam vigilantes em nossos deveres de conter o extremismo violento e garantir a segurança do nosso país e de nossos cidadãos”.
O Departamento de Segurança Nacional emitiu um boletim no fim de junho avaliando a possibilidade de terroristas domésticos explorarem o alívio das restrições para conter a covid-19 para realizar novos ataques. Entre eles, há preocupações com os adeptos de teorias da conspiração que promovem a ideia de que Trump retornará à Presidência em agosto.
O departamento está “focado na relação entre violência e ideologias extremistas” e está “melhorando sua capacidade de prevenir atos de terrorismo doméstico inspirados pela desinformação, teorias da conspiração e narrativas falsas espalhadas pelas redes sociais e outras plataformas on-line”, disse um comunicado do Departamento de Segurança Nacional.
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