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Variedades Ter no currículo uma empresa que faliu não prejudica a carreira dos trabalhadores, diz estudo

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Com exceção de Executivos, profissionais em outros cargos não sofrem danos reputacionais após a falência. (Foto: Pixabay)

A cada dez empresas abertas no Brasil, duas fecham no primeiro ano de operação, afirmam dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Antes mesmo de completar cinco anos, aproximadamente 60% já encerraram as atividades, revela o Instituto, em parceria com o Sebrae. Além disso, apenas no ano de 2023, 2.153.840 companhias trancaram as portas no território nacional, segundo o Mapa das Empresas do Governo Federal.

De acordo com o pesquisador Tristan Botelho, da Universidade Yale, após o fechamento de uma empresa, os executivos costumam enfrentar maiores obstáculos em suas carreiras. Esse tema já foi amplamente estudado. Por outro lado, o impacto da demissão sobre funcionários com cargos inferiores ou operacionais ainda não havia sido analisado.

Botelho decidiu então pesquisar o assunto ao lado de Matt Marx, da Universidade Cornell. A conclusão geral foi que, embora a carreira da alta liderança pareça declinar após a falência das suas empresas, o mesmo não ocorre com os demais trabalhadores.

Algumas exceções foram identificadas, como a falência depois de um escândalo. Porém, de modo geral, o estudo é uma boa notícia para o “trabalhador comum”, avaliam os estudiosos. Mesmo que a organização feche as portas, “não parece que isso vá criar um estigma enorme para você no futuro”, diz Botelho.

Ainda na percepção do pesquisador, faz sentido que as carreiras dos líderes sofram após a falência da empresa, já que eles são os responsáveis pelas decisões estratégicas da companhia. Por outro lado, parece menos provável que os funcionários em níveis hierárquicos inferiores sejam responsabilizados. Se um banco quebrar, os caixas e o departamento de TI provavelmente não teriam muito poder para moldar o destino da empresa, exemplifica.

Apesar disso, os resultados do estudo não impedem os empregadores de ficarem receosos. Afinal, eles podem optar pela segurança e contratar um candidato com outro histórico, dizem os autores. Ao mesmo tempo, Botelho e Marx compreenderam que o fracasso de uma companhia pode impulsionar a carreira dos trabalhadores, considerando que as pessoas tendem a permanecer em seus empregos mesmo quando podem ser mais bem remuneradas em outro lugar. “Serem demitidas de uma empresa em dificuldades pode forçá-las a buscar novas posições e, consequentemente, salários mais altos”, afirma o pesquisador da Universidade Yale.

A pesquisa foi feita em território norte-americano a partir dos dados do Censo de 1976 a 2014. No período pesquisado, um grupo que se destacou foram os engenheiros. Quando eles se colocavam disponíveis no mercado, tinham ainda mais probabilidade de serem contratados do que os engenheiros que estavam em empresas estáveis em busca de novas oportunidades. “Talvez porque os concorrentes soubessem que eles estavam disponíveis e os contrataram imediatamente”, analisa Botelho.

Os pesquisadores também constataram que imigrantes e trabalhadores de grupos minoritários eram mais penalizados pelas falências das empresas, mesmo quando o fechamento da organização não havia sido causado por escândalos. Os estudiosos entenderam que grupos sub representados frequentemente enfrentam maior estigma avaliativo, e afirmaram que os recrutadores “precisam estar cientes dessas diferenças”.

Por fim, os autores do estudo aconselham que profissionais em cargos de liderança estejam preparados para conversar sobre seus históricos, sejam honestos sobre os seus erros e assumam a responsabilidade [pela falência da empresa]. “Eles devem esperar ser culpados. Discutir isso abertamente provavelmente é a melhor estratégia”, observam. (As informações são do Valor Econômico)

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