Sexta-feira, 08 de maio de 2026
Por Guto Lopes | 7 de maio de 2026
As chamadas terras raras e outros minerais críticos deixaram de ser apenas tema técnico de geólogos ou especialistas em mineração
Foto: DivulgaçãoEsta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
O mundo mudou. A disputa global de hoje não acontece apenas por petróleo ou território. A grande corrida internacional agora passa pelos minerais estratégicos que alimentam a tecnologia, a indústria de ponta e a chamada economia verde. E nesse novo cenário, o Brasil pode estar sentado sobre uma das maiores riquezas do século XXI.
As chamadas terras raras e outros minerais críticos deixaram de ser apenas tema técnico de geólogos ou especialistas em mineração. Viraram questão de soberania nacional.
Celulares, carros elétricos, baterias, inteligência artificial, satélites, equipamentos militares, painéis solares e praticamente toda a indústria tecnológica moderna dependem desses minerais. Quem controla essa cadeia produtiva ganha influência econômica, política e estratégica no planeta.
O Brasil possui reservas importantes desses recursos. Mas a grande pergunta é: vamos repetir o velho modelo colonial ou finalmente aprender com a nossa própria história?
Durante séculos, o país foi tratado como uma grande fazenda de exploração. Retiravam nossas riquezas daqui e o lucro verdadeiro ficava lá fora. Foi assim no ciclo do pau-brasil, no ouro, em boa parte da mineração e até em diversos momentos da industrialização brasileira. Exportávamos matéria-prima barata e depois comprávamos produtos industrializados por preços muito maiores.
Essa lógica atrasou o desenvolvimento nacional e aprofundou nossa dependência econômica.
É exatamente por isso que o pensamento nacionalista de Getúlio Vargas volta a fazer sentido nos dias atuais. Getúlio entendia que um país forte não pode abrir mão do controle estratégico sobre suas riquezas. Não existe independência real sem indústria, tecnologia e planejamento nacional.
Quando criou a Petrobras e fortaleceu setores industriais estratégicos, Vargas não pensava apenas na economia. Pensava em soberania. Pensava no Brasil ocupando posição de protagonismo e não de submissão no cenário internacional.
Hoje, o debate sobre terras raras exige a mesma visão de futuro. Não basta retirar minério do solo e mandar navios carregados para outros países produzirem tecnologia. O verdadeiro desenvolvimento acontece quando o conhecimento, a indústria e o valor agregado ficam dentro do território nacional. É isso que gera empregos qualificados, inovação, renda e crescimento sustentável.
O Brasil tem universidades, pesquisadores e capacidade técnica para avançar nesse setor. O que muitas vezes falta é transformar potencial em projeto de Estado. Falta compreender que riqueza mineral, sem estratégia nacional, vira apenas mais um capítulo da velha exploração econômica que marcou nossa história.
Enquanto grandes potências disputam espaço nesse mercado, o Brasil precisa agir com inteligência. Não podemos assistir passivamente outros países decidirem o destino das nossas riquezas estratégicas. O país precisa construir uma política séria de industrialização, incentivo à pesquisa, proteção dos interesses nacionais e fortalecimento da cadeia produtiva brasileira.
A questão das terras raras não é apenas econômica. É geopolítica. É industrial. É tecnológica. E principalmente: é uma discussão sobre o futuro do Brasil.
Temos diante de nós uma oportunidade histórica. Talvez uma das maiores deste século. A chance de deixar de ser apenas fornecedor de matéria-prima e assumir posição relevante na economia mundial.
Mas isso exige visão nacional, coragem política e compromisso com as próximas gerações. O Brasil não pode continuar exportando futuro e importando dependência.
* Guto Lopes, comunicador da Rede Pampa e jornalista
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
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