Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de agosto de 2021
Enquanto a maior parte do mundo aprende a conviver com a covid-19, a China se esforça para eliminar o coronavírus, uma abordagem que pode deixar a segunda maior economia do mundo isolada nos próximos anos.
Apesar dos controles de fronteira, o país enfrenta um surto da variante Delta em mais da metade de suas 31 Províncias, levando a lockdowns localizados, restrições de viagens e testes em massa em todo o país. Embora seja amplo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que os novos casos somavam 141 até a última sexta-feira (6), 0,01% das novas infecções naquele dia nos Estados Unidos.
No curto prazo, os líderes chineses têm um incentivo para manter rígidos controles pelo menos até o próximo ano: não querem nenhum grande surto que atrapalhe a Olimpíada de Inverno ou o Congresso do Partido que ocorre uma vez a cada cinco anos, no qual o presidente Xi Jinping deverá obter um terceiro mandato. O problema, no entanto, são os crescentes custos econômicos e políticos em manter essa política de “covid zero” indefinidamente, especialmente porque o coronavírus gera variantes que podem escapar das restrições com mais facilidade.
Punição
A China puniu mais de 40 autoridades locais por não conseguirem controlar o surto da variante Delta, enquanto as autoridades lutam para conter o pior ressurgimento de covid-19 que o país já viu em mais de um ano.
O surto atual, que surgiu pela primeira vez na cidade oriental de Nanjing, se espalhou para mais da metade das 31 províncias da China e causou mais de 1.000 infecções sintomáticas em três semanas, de acordo com uma contagem da CNN dos relatórios diários da Comissão Nacional de Saúde.
As autoridades se apressaram em impor bloqueios rígidos, testes em massa, quarentena extensa e restrições de viagem — um manual estrito que já havia sido usado para eliminar rapidamente surtos esporádicos.
Essas medidas foram implantadas em uma escala e intensidade nunca vistas na China desde o surto inicial no início de 2020. Os funcionários que não implementaram as medidas de forma rápida ou completa estão agora enfrentando ações disciplinares.
Em todo o país, pelo menos 47 funcionários, desde chefes de governos locais, comissões de saúde, hospitais e aeroportos, foram punidos por negligência, de acordo com declarações oficiais e relatórios da mídia estatal.
Em Nanjing, capital da província de Jiangsu, 15 funcionários foram responsabilizados por permitir que infecções se propagassem no Aeroporto Internacional de Nanjing Lukou, de acordo com um comunicado da Comissão Central de Inspeção Disciplinar do Partido Comunista (CCDI).
O aeroporto é onde acredita-se que o surto tenha começado pela primeira vez, com nove funcionários da limpeza infectados em 20 de julho, descoberta feita durante testes de coronavírus de rotina. As autoridades vincularam o cluster a um voo da Rússia que chegou em 10 de julho.
Três funcionários do aeroporto estão sendo investigados pelas autoridades disciplinares da província e dois deles foram detidos. Outros, incluindo o vice-prefeito de Nanjing, receberam penalidades que variam de suspensão a severas advertências, de acordo com o comunicado.
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