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Mundo Tom agressivo do presidente dos Estados Unidos com a China e a Rússia surpreende, e analistas apontam riscos

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Retirada deve ocorrer até 11 de setembro. (Foto: Reprodução/Twitter)

Eleito com a ideia de “cura” e do reposicionamento dos Estados Unidos como liderança global, Joe Biden provocou surpresa com algumas posições que adotou em política externa nos pouco mais de dois meses no cargo. A começar pelo tom linha-dura na relação com China e Rússia, principais alvos da diplomacia da Casa Branca – uma postura, que, segundo analistas, reflete preocupações de segurança nacional, mas também um cálculo político interno.

“Fiquei perplexo por Biden ter adotado essa visão da Guerra Fria. É um governo que chegou ao poder prometendo repensar e reimaginar a política externa. Mas a impressão é que eles apenas se apegaram a essa estrutura de competição entre potências”, disse Joseph Cirincione, veterano especialista americano em não proliferação nuclear e professor adjunto da Escola de Serviço Exterior da Universidade de Georgetown.

Desde a campanha, Biden apontava a potência asiática ascendente e a antiga rival da Guerra Fria como pontos de tensão na estratégia que planejava adotar, resumida na expressão “os EUA estão de volta”. O objetivo era marcar uma mudança de rumo em relação ao governo de Donald Trump, com o país buscando retomar o protagonismo no cenário multilateral, se reaproximar de aliados e, por fim, se colocar como um defensor da democracia liberal.

Em fevereiro, Biden definiu as linhas que deveriam nortear as relações com Moscou e Pequim: os chineses foram apontados como competidores globais, enquanto os russos como adversários. Ele prometia, ainda assim, se manter aberto ao diálogo com os dois países em temas como as mudanças climáticas.

Na prática, o que se viu foi uma postura que lembrou os antigos falcões neoconservadores de George W. Bush (2001-2009): em poucas semanas, o governo aplicou sanções contra figuras importantes do Estado chinês, relacionadas à situação política em Hong Kong e às denúncias de violações dos direitos humanos da minoria muçulmana uigur na província de Xinjiang. Biden também ampliou o poderio naval dos EUA no entorno da China.

“Este governo vai continuar com a política de Trump, concentrando a política externa na chamada competição de grandes potências, pondo China e Rússia no mesmo campo, ou pretende fazer uma distinção entre as duas? O que vejo agora é algo que está entre a visão do governo Trump e as visões dos que o antecederam na Casa Branca”, disse Stephen Wertheim, autor de “Tomorrow, the world: the birth of US global supremacy” (Amanhã, o mundo: o nascimento da supremacia global dos EUA) e diretor do Programa de Grande Estratégia do Instituto Quincy, um centro de estudos pluripartidário que defende que a política externa americana seja menos baseada em intervenções militares.

Em relação à Rússia, Biden carrega o ressentimento democrata relacionado à interferência cibernética de Moscou na eleição que levou Trump à Casa Branca, em 2016. Em meados de março, ele divulgou relatório da Inteligência que afirma que houve tentativa semelhante na votação de 2020. Resultado: novas sanções, e declarações de que o Kremlin “pagaria o preço”. Depois, em entrevista, Biden concordou com a afirmação de que o presidente russo, Vladimir Putin, é um “assassino”.

Os analistas citam ainda o descompasso entre as posições do governo Biden e as dinâmicas globais dos últimos anos, quando a China ampliou sua influência econômica, a Rússia se tornou um ator importante em conflitos no Oriente Médio e os europeus, desprezados por Trump, perceberam a necessidade de não dependerem tanto dos EUA. A “liderança pelo exemplo”, tema que Biden tem reforçado em seus discursos, e a manutenção da hegemonia americana no mundo não são processos automáticos.

“Os países vão acreditar que os EUA estão de volta quando as iniciativas americanas tiverem resultados reais, e isso não foi visto ainda. Eles vão dar as boas-vindas aos EUA quando e se os EUA ajudarem com a pandemia, quando defenderem a democracia contra regimes autoritários, não vai ser por causa da postura diante da Rússia ou da China”, afirmou Cirincione. As informações são do jornal O Globo.

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