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Variedades Tom Zé: 85 anos de arte, ousadia e alegria

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Figura lendária da MPB se prepara para lançar novo single na próxima quinta (14) nas plataformas digitais.

Foto: André Conti/Divulgação
Figura lendária da MPB se prepara para lançar novo single na próxima quinta (14) nas plataformas digitais. (Foto: André Conti/Divulgação)

Conhecido como uma das personalidades musicais mais originais e instigantes do País, Tom Zé celebrou 85 anos de existência na segunda-feira (11), com talento e bom humor de sobra. O artista, que acumula inúmeras conquistas e adversidades ao longo da carreira, diz que a fórmula secreta da sua longeva trajetória profissional inclui uma pitada de sorte, referindo-se aos que, em algum momento, já cruzaram seu caminho.

Cantor, compositor e arranjador, aprendeu a gostar de música ainda na infância, em Irará, no interior da Bahia, ouvindo Luiz Gonzaga e grandes nomes do samba de roda no rádio. De ouvinte à praticante, aventurou-se tirando algumas notas na gaita de sopro antes de descobrir a paixão pelo violão. No início da década de 1960, já trabalhando no meio, foi apresentado a Caetano Veloso. O artista, com quem passou a dividir o palco em diversas ocasiões, foi o responsável pela sua mudança para São Paulo alguns anos mais tarde.

Viu sinais de que sua carreira iria decolar no Sudeste durante um dos períodos mais conturbados da cultura e da política brasileira. Em 1968, em plena ditadura militar, lançou ao lado de Gilberto Gil, Gal Costa, Nara Leão, Os Mutantes e Caetano o provocador disco inaugural do movimento tropicalista: Tropicália – Panis et circensis. Para ele, o convite para participar do projeto foi uma surpresa. “Eles faziam Bossa Nova, uma música sofisticada. O que eu fazia era completamente ao contrário, era música de rua, com histórias e personagens vindos de Salvador”, conta.

Ainda no mesmo ano, apresentou ao público seu primeiro álbum solo autoral, de muitos que ainda estavam por vir, intitulado “Grande liquidação”. Os clássicos “São São Paulo” e “Sem entrada e sem mais nada” são algumas das faixas que compõem a obra e elucidam sua brilhante capacidade criativa. A primeira delas, inclusive, lhe rendeu através do júri especial o título de campeão do 4º Festival de Música Popular Brasileira.

Dono de uma produção artística única e difícil de ser classificada, teve seu trabalho esquecido pelas emissoras de rádio nos anos seguintes, sobrevivendo apenas através de shows em universidades ao redor do Brasil. “Quando lancei o trabalho experimental “Estudando o samba”, que trazia muitas novidades a respeito de como tratar esse gênero, não escutava ele tocar em lugar nenhum. Um crítico do Rio de Janeiro, cujo nome nem lembro, chegou a dizer inclusive que quem precisava estudar mais era eu”, relata.

Diante dessas circunstâncias, o compositor, que já foi assunto nos principais jornais e revistas do mundo, cogitou desistir da música no final dos anos de 1980. O cenário mudou quando o norte-americano David Byrne cruzou seu caminho durante uma passagem pelo Rio de Janeiro. Visitando casas de discos ao redor da cidade, ele se deparou com um exemplar do álbum de samba produzido por Tom. A peculiar capa com arames farpados e cordas chamou a sua atenção de imediato. “Ele olhou e ficou curioso com aquilo, porque normalmente os álbuns deste estilo tinham fotos de mulheres na capa. Mas ele decidiu comprar e levar para casa, e quando ouviu virou meu fã”, relembra contente.

A partir disso, Tom Zé deu o pontapé inicial na sua carreira internacional. O compositor e produtor estrangeiro, que havia acabado de fundar a gravadora Luaka Bop em Nova York, contratou o baiano para fazer parte do seu selo. “Eu não tinha a menor ideia de que tudo isso seria possível. Eu não sabia inglês e diziam que era muito difícil de traduzir o que eu falava. Com o tempo fui aprendendo um pouco. Sempre gostei muito de conversar nos meus shows, então sabia que era importante.” Na sequência, as turnês realizadas pela Europa e pelos Estados Unidos confirmaram e realocaram seu trabalho novamente como grande alvo de interesse do público.

Agora, completando 85 anos de idade, ele se prepara para mais um lançamento. Resgatando uma canção composta há uma década como forma de saudação ao festival Rock in Rio, o artista apresenta nesta quinta-feira (14), nas plataformas digitais, o single “O rock ronca”, editado pela Circus Produções.

Além disso, reafirmando sua importância dentro da construção da música brasileira, o Museu da Língua Portuguesa estreia nesta segunda um curta-documentário que apresenta uma entrevista inédita com o cantor. Relembrando sua infância e momentos relevantes da sua trajetória, “Línguas em trânsito: Tom Zé” será disponibilizado gratuitamente no canal de YouTube da instituição.

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