Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2021

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Brasil Total de filiações partidárias está abaixo da média

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Luciano Bivar (foto) prepara troca em diretórios com base em estatuto. (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

O número de filiações partidárias registradas de janeiro a abril deste ano – apenas 44,2 mil – aponta, de acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que o interesse pelas legendas caiu. Em anos pós-eleitorais, a procura costuma ser alta. Em 2011, por exemplo, houve 108,8 mil novos filiados a siglas no mesmo período, os primeiros quatro meses do ano. Em 2015, foram 93,2 mil, mais de duas vezes o número de filiações no início de 2019.

Em números totais, o montante de filiações é o mais baixo desde 1997, quando somente 29,1 mil se filiaram a partidos. Neste ano, a legenda com o maior número de filiados foi o Republicanos (antigo PRB), ligado à Igreja Universal. Com uma campanha em massa de filiações no estado do Amazonas, a legenda conseguiu conquistar 16,3 mil novos membros.

O PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, registrou apenas 1,8 mil filiações. No ano passado, a legenda foi a que mais cresceu: filiou 42,2 mil pessoas, 21% do total de ingressos do ano. O maior interesse pelo PSL ocorreu em outubro. De acordo com o presidente do partido, o deputado federal Luciano Bivar (PE), o número foi superado nos meses seguintes a abril. Ele afirma que o partido conseguiu 130 mil novos filiados em um fim de semana, entre 17 e 18 de agosto.

Inscrições retidas

O parlamentar diz que o número baixo no primeiro trimestre se deve a inscrições retidas, que não foram divulgadas ainda pelo Tribunal Superior Eleitoral. A legislação obriga que os dados sejam atualizados duas vezes ao ano, em março e outubro. “Proporcionalmente, o estado com o maior número de filiações foi o Amapá. O presidente do diretório [o pastor Guaracy Jr.] é muito ligado ao movimento evangélico por lá”, disse Bivar.

O PSL tem como meta um milhão de filiados até o ano que vem. Hoje, são 270 mil, 400 mil considerando as últimas filiações registradas em agosto. O partido prepara também uma cartilha para “enquadrar” os que não seguirem à risca as diretrizes do partido.

A avaliação interna é que muitos filiados pegaram carona na popularidade do presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 ou são remanescentes de quando o PSL era um partido nanico. Parte não estaria comprometida com as atuais bandeiras da sigla. Nestes casos, a edição da cartilha será um caminho para desfiliações.

Sistema em crise

Juliano Medeiros, presidente do PSOL, pontua que não tem visto um desinteresse pelo partido. No caso da sigla, até abril, houve 3,3 mil filiações. Em 2018, no ano todo, foram 5,3 mil novos filiados.

“No caso do PSOL, a procura por filiações continua alta. Muitos jovens, especialmente, que têm sido o setor mais dinâmico e mobilizado da sociedade brasileira”, destacou Medeiros, ao falar de crise política: “O sistema político no Brasil vive uma crise profunda desde 2013. É natural que a representatividade dos partidos seja atingida. Os partidos mais ideológicos, no entanto, se fortalecem num contexto de polarização. A crise, portanto, é maior para as legendas fisiológicas”.

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