Quarta-feira, 14 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 6 de julho de 2018
Quando 33 mineiros chilenos ficaram presos, em 2010, a 750 de metros de profundidade, a situação era desesperadora. Embora tivessem experiência em enfrentar dificuldades extremas, eles estavam angustiados para sair de lá o quanto anos. Foram 69 dias debaixo da terra até o resgate.
Luis Urzúa, um dos 33 mineiros, disse que é difícil imaginar como estão se sentindo os 12 meninos presos há 13 dias numa caverna alagada da Tailândia. Diferentemente dos mineiros, eles não estão acostumados a viver em ambientes de confinamento e com pouco oxigênio.
O grupo de adolescentes, com idades entre 11 e 16 anos, entrou na caverna com o treinador de futebol, de 25 anos, para passear após um treino. Mas eles acabaram ficando presos lá, depois que fortes chuvas alagaram grande parte do complexo de câmaras subterrâneas.
Logo no início das buscas, equipes de resgate encontraram pertences dos meninos. As crianças foram encontradas nove dias depois. E não será tarefa fácil retirar o grupo de lá, já que grande parte da caverna está completamente submersa.
Para enfrentar a espera, que pode levar semanas ou até meses, os meninos precisarão de coragem e força física e mental. Urzúa, que aguentou mais de dois meses a centenas de metros debaixo da terra, dá três dicas que o ajudaram a sobreviver:
Cuidar da Saúde
O mineiro chileno diz que a prioridade deve ser garantir a saúde física e psicológica dos adolescentes. Urzúa era o líder do grupo que ficou preso na mina San José depois que as galerias superiores desabaram. Ele assumiu para si a responsabilidade de manter o moral dos companheiros.
Manter a positividade
Urzúa entende bem a angústia que os meninos sofreram até serem achados. “O que vai acontecer se ninguém nos encontrar?”, se perguntava ele quando estava a 750 metros debaixo da terra.
Passado o alívio ao ver avistar a equipe de resgate pela primeira vez, os meninos precisam controlar uma nova etapa psicológica – a de superação da frustração.
Isso porque possivelmente eles esperavam sair da caverna o quanto antes. Mas ninguém sabe ao certo quando isso será possível. O grupo não sabe nadar bem, nem mergulhar.
Urzúa e seus colegas passaram pelos mesmos sentimentos – o alívio de serem encontrados e a decepção de saberem que não deixariam o local por um bom tempo. “As esquipes de resgate disseram que poderia levar de quatro a cinco meses para nos levar até a superfície”, lembra.
“Vários mineiros ficaram muito deprimidos.” No final das contas, o resgate começou 69 dias depois do desabamento das galerias que fez com que os homens ficassem confinados na base. Uma cápsula especial foi desenhada para tirar um homem por vez de dentro da mina. Urzúa foi o último sair, 70 dias depois do desabamento.
Trabalhar em equipe
Os meninos foram encontrados aglomerados numa rocha longe da entrada principal. O ambiente é úmido e quente. A temperatura média é de 26°C. Uma queda na temperatura poderia gerar risco de hipotermia.
Queda de rochas também pode ser uma preocupação, diante da possibilidade de aumento no nível da água. As crianças conseguiram se manter hidratadas ao beber água que saía das paredes e do teto da caverna. Urzúa diz que as condições vividas pelos adolescentes são similares às que ele experimentou na mina.
“Mas nós estávamos confinados num único espaço (que sobrou após o desabamento). Não podíamos sair daquele local.” Os mineiros chilenos contaram que o bate-papo entre eles ajudou a resistir tanto tempo no espaço confinado.
Outro aspecto importante, segundo Urzúa, é seguir uma boa liderança. Para ele, o treinador deve ter tido papel crucial em manter os meninos vivos até que as equipes de resgate chegassem.
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