Segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 22 de julho de 2020
Os laboratórios norte-americanos Pfizer, Merck Sharp & Dohme (MSD) e Moderna disseram na terça-feira (21) que, se conseguirem obter uma vacina contra o novo coronavírus, não a venderão a preço de custo. Já a Johnson & Johnson e a AstraZeneca concordaram em vender suas vacinas sem lucro, inicialmente. O anúncio foi feito durante uma audiência no Congresso norte-americano.
Várias empresas receberam subsídios de centenas de milhões de dólares do governo americano e de outros países, porém esses acordos nem sempre limitam o preço máximo das doses da vacina. A Moderna desenvolveu uma das vacinas experimentais mais avançadas, cujos testes de fase três terão início na próxima semana com 30 mil voluntários.
A companhia de biotecnologia recebeu US$ 483 milhões do governo dos Estados Unidos para o financiamento de pesquisa e desenvolvimento, mas, segundo o presidente da farmacêutica, Stephen Hoge, não há contrato de fornecimento para o país.
Julie Gerberding, da MSD, disse que o laboratório não terá uma vacina pronta pelo menos até 2021 e que também não fechou acordo para fornecer aos EUA. De acordo com John Young, da Pfizer, o preço da vacina da fabricante será avaliado e levará em conta a atual emergência global de saúde.
Por outro lado, a AstraZeneca, parceira da Universidade de Oxford no desenvolvimento de uma das vacinas em estágio mais avançado hoje, assinou um contrato de US$ 1,2 bilhão com a agência Barda, do governo norte-americano. Eles preveem a entrega de 300 milhões de doses a preço de custo. A União Europeia assinou acordo semelhante em junho.
A fórmula da vacina britânica já está sendo testada no Brasil e na África do Sul após etapas bem-sucedidos no Reino Unido. Em São Paulo, os estudos são liderados pelo Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A infraestrutura médica e de equipamentos é financiada pela Fundação Lemann. No Rio, os testes ficam a cargo do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino e da Rede D’Or, que vai cobrir os custos da primeira fase da pesquisa.
A Johnson & Johnson afirmou que a distribuição da vacina não vai gerar lucro durante a fase de emergência. A empresa e governo dos EUA planejam fabricar 1 bilhão de doses de vacina contra coronavírus.
Bom progresso
Pesquisadores estão fazendo um bom progresso no desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19, com alguns estudos em estágio avançado, mas o uso não é esperado até o início de 2021, disse um especialista da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quarta-feira (22).
A OMS está trabalhando para garantir uma distribuição justa das vacinas, mas neste meio tempo é essencial conter a disseminação do vírus, disse Mike Ryan, chefe do programa de emergências da OMS, já que os casos novos diários estão quase em níveis recordes em todo o mundo.
“Estamos fazendo um bom progresso”, disse Ryan, observando que várias vacinas já estão em testes de Fase 3 e que até agora nenhuma fracassou em termos de segurança ou capacidade de provocar uma reação imunológica.
“Realisticamente, só na primeira parte do próximo ano começaremos a ver as pessoas serem vacinadas”, disse Ryan em um evento público nas mídias sociais. As informações são do jornal O Globo e da agência de notícias Reuters.
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