Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 14 de abril de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou, em entrevista, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, antiga aliada, ao questionar sua disposição em apoiar a guerra contra o Irã. “Fiquei surpreso. Achei que ela tinha coragem, mas me enganei”, disse ele ao jornal italiano Corriere della Sera.
A líder da extrema direita, que governa a Itália desde outubro de 2022, foi uma das aliadas mais próximas de Trump na Europa e frequentemente tenta atuar como mediadora entre posições divergentes dos Estados Unidos e do continente europeu.
Trump afirmou que Meloni não quer que a Itália se envolva diretamente na guerra contra o Irã, iniciada após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica — mesmo com o país europeu dependendo, em grande parte, do petróleo da região.
A entrevista foi publicada menos de um dia depois de Meloni classificar como “inaceitáveis” as críticas de Trump ao papa Leão XIV, após os reiterados apelos do pontífice pelo fim da guerra no Oriente Médio.
O presidente americano declarou ao Corriere que é Meloni que é “inaceitável”, alegando que ela não se preocupa com a possibilidade de o Irã desenvolver uma arma nuclear.
O primeiro Pontífice nascido nos EUA, que lidera os 1,4 bilhão de católicos do mundo, manifestou-se contra a guerra no Irã, iniciada por Washington e Israel, condenando a “violência absurda e desumana” desencadeada pelos combates.
“Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump sobre o Santo Padre. O Papa é o chefe da Igreja católica e é justo e normal que ele peça a paz e condene todas as formas de guerra”, afirmou Meloni, em comunicado.
Na madrugada de segunda-feira, o presidente americano havia feito críticas ao Pontífice em uma longa publicação no Truth Social. “Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante. Ele não estava em nenhuma lista para ser Papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano, e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump”, escreveu. “Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano”, acrescentou.
Trump acusou o Papa de “brincar com um país que quer uma arma nuclear”, em referência ao Irã. O país, porém, sempre negou que seu programa atômico tenha outro objetivo que não o uso civil.
Também na segunda, em resposta aos comentários do presidente americano, o Papa disse que não tem “nenhum medo da administração Trump, nem de falar abertamente a mensagem do Evangelho, que é o que acredito ser minha missão aqui”.
A caminho da Argélia, o Papa foi perguntado diretamente sobre as críticas que recebeu de Trump na Truth Social, rede social criada por ele em 2022.
“É irônico, o próprio nome da plataforma. Não preciso dizer mais nada”, afirmou, referenciando-se à plataforma, que pode ser traduzido como “rede social da verdade”.
Leão XIV, apesar da troca de farpas, disse não ter intenção de engajar na disputa com Trump.
“Não quero entrar em um debate com ele”, disse à agência Reuters ao cumprimentar jornalistas no avião. As informações são do jornal O Globo.
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