Quarta-feira, 04 de novembro de 2026
Por Redação O Sul | 3 de novembro de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nessa terça-feira (3) que Washington deixará de conceder US$ 4 bilhões (cerca de R$ 21 bilhões) por ano em ajuda financeira a Israel a partir do fim de 2026. Segundo a agência de notícias Reuters, Trump disse que chegou a um acordo com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, para interromper os pagamentos, mas que os Estados Unidos continuarão vendendo armas ao aliado no Oriente Médio.
Em entrevista ao programa Fox & Friends, da emissora Fox News, Trump afirmou que Israel não precisa mais do financiamento americano. O presidente, porém, não detalhou a qual modalidade de ajuda se referia nem explicou como o repasse seria encerrado até o fim deste ano.
O anúncio também levantou dúvidas porque o atual Memorando de Entendimento entre os dois países prevê US$ 3,8 bilhões anuais em assistência militar americana a Israel e só termina em setembro de 2028. Washington e Tel-Aviv mantêm conversas sobre como será a assistência após o fim do acordo.
“Agora, no que diz respeito ao pagamento a Israel, Bibi Netanyahu e eu fizemos um acordo para dar a Israel US$ 4 bilhões por ano, e fizemos um acordo meses atrás para interromper esse pagamento”, disse Trump. “Já concordamos que, até o final deste ano, não pagaremos mais a Israel. Ajudaremos Israel se eles precisarem”, afirmou.
A declaração ocorre em meio à queda do apoio público a Israel nos Estados Unidos desde o início da guerra na Faixa de Gaza, em 2023, especialmente entre os eleitores democratas. Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac realizada em junho mostrou que 48% dos americanos e 66% dos democratas consideravam excessivo o apoio dos Estados Unidos a Israel. Em 2017, quando a pergunta foi feita pela primeira vez, os índices eram de 16% e 20%, respectivamente.
Trump mencionou a disputa eleitoral pelo Senado em Michigan ao justificar a decisão. O candidato democrata Abdul El-Sayed, que concorre a uma vaga no Congresso, é crítico da ajuda militar incondicional a Israel e defende que os recursos americanos sejam priorizados para a população dos Estados Unidos.
“Porque eles (Israel) não precisam disso, e porque por que deveríamos sofrer as críticas de lunáticos como El-Sayed quando eles não precisam disso? É um argumento ruim, muito ruim”, disse Trump.
O apoio a Israel também enfrenta críticas dentro do próprio movimento político de Trump. Parte dos integrantes do movimento Make America Great Again (Maga) tem questionado a relação entre os dois países e acusado Israel de influenciar as decisões do presidente americano, que fez campanha em 2024 com a promessa de evitar intervenções militares no exterior.
O financiamento americano a Israel é autorizado por lei, mas a liberação dos recursos depende da aprovação anual de projetos orçamentários pelo Congresso. Em entrevista a uma emissora israelense em outubro, Netanyahu já havia sinalizado que o país não deveria contar com a continuidade da ajuda nos mesmos moldes.
“Se vocês acham que vamos continuar recebendo o que eu garanti duas vezes, que são dezenas de bilhões de dólares em ajuda americana para o orçamento de defesa, preparem-se e acostumem-se com o fato de que isso não vai acontecer, porque os Estados Unidos mudaram”, afirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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