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Mundo Trump ensaia fragilizar a Ucrânia em reunião com Putin

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Governo russo afirmou que as ações norte-americanas representam uma retomada de práticas de anarquia na região. (Foto: Reprodução)

Na próxima sexta-feira (15), a Guerra da Ucrânia chegará a seu 1.269º dia com um legado de destruição física e política sem paralelo no século 21.

Após vaivéns oriundos do fim da Guerra Fria, o mundo voltou a uma era de conflitos duros gerada pela invasão promovida por Vladimir Putin contra seu vizinho.

Um novo capítulo da história pode ser escrito, na sexta, com a primeira reunião de cúpula marcada entre o longevo autocrata do Kremlin e o caótico chefe da Casa Branca, Donald Trump, em seu segundo mandato.

O encontro é resultado do conhecido processo de negociação trumpista. O americano primeiro reafirmou sua admiração pelo russo, aproximou-se dele e suspendeu o apoio incondicional a Kiev. Brigou com Volodimir Zelenski e chegou a congelar o envio de armas aos ucranianos.

Só que o objetivo de obter um cessar-fogo de Putin falhou. Reuniões entre os rivais serviram mais para reafirmar exigências mutuamente excludentes.

Putin quer a totalidade dos territórios que anexou sem manter controle sobre eles, a neutralidade militar de Kiev e até eleições para tentar remover Zelenski do poder. Silenciar canhões, só depois de os termos serem aceitos.

A Ucrânia, por sua vez, pede o cessar-fogo para iniciar o diálogo e rejeita concessões que serão inevitáveis. Exasperado com o impasse, Trump passou a pressionar Putin, emitindo um ultimato ao congênere: a trégua ou novas punições econômicas.

Para ampliar a ameaça, o republicano inseriu as medidas no contexto de sua guerra tarifária global. Países compradores de petróleo e derivados russos, como China, Índia e Brasil, sofreriam sanções secundárias. Para dar exemplo, já aplicou sobretaxas a Nova Déli pelo apoio a Moscou.

Na undécima hora, Putin recebeu um enviado de Trump e, segundo relatos, teria aceitado um tipo de trégua em troca de concessões territoriais imediatas.

O americano ficou satisfeito e a cúpula ocorrerá no simbólico Alasca —o estado americano é fruto de uma negociação comercial em que Moscou o vendeu a Washington, em 1867. O prazo do ultimato expirou na sexta (8), e ninguém mais falou nas sanções.

Ou seja, elas seguem no ar. Pior para o Brasil, que compra 60% do diesel que consome dos russos, e para seus parceiros do Brics.

Se a remota possibilidade de uma pausa no morticínio é mais do que desejável, Kiev tem motivos de sobra para se preocupar. Trump afirmou que qualquer acomodação terá de passar por “algumas trocas territoriais”, mas tudo o que Putin tem para oferecer são áreas invadidas em províncias que não fazem parte de sua lista oficial de desejos.

Zelenski já protestou contra acordos que o excluam, mas suas opções, sob intensa campanha aérea e avanços russos, são poucas. Trump, que havia prometido acabar com a guerra em um dia, parece inclinado a premiar a força bruta que tanto admira —salvo, é claro, mais uma reviravolta. (Opinião/Folha de S. Paulo)

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