Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 26 de outubro de 2019
Mais distantes da capital Santiago, epicentro das manifestações do Chile, alguns dos destinos mais visitados do país não foram afetados com a instabilidade dos últimos dias, de acordo com o Serviço Nacional de Turismo (Sernatur) chileno. Entre eles, estão localidades como San Pedro de Atacama, Ilha de Páscoa e Patagônia chilena. As informações são do jornal Folha de S.Paulo e das agências de notícias Reuters e AFP.
A situação, porém, é diferente, em Santiago, mais atingida pela onda de protestos que completou oito dias na sexta-feira. Os atos são o episódio mais grave em quase 30 anos, desde o final da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).
A capital chilena ficou paralisada depois que manifestantes atacaram mercados e estações de metrô. Hotéis localizados no centro da cidade, onde houve concentração de protestos, registraram ocorrências.
Com retomada do comércio e reabertura da maioria das estações de metrô, a normalidade volta lentamente à capital — outras manifestações, porém, estão sendo convocadas pelas redes sociais.
A recomendação do Sernatur é que o turista mantenha consigo o passaporte (ou RG) e a cópia de bilhetes de avião, trem ou ônibus.
A orientação vale sobretudo para a capital chilena, em que houve continuação do toque de recolher que vigorou durante a semana. Segundo a agência AFP, a restrição vai das 23h de sexta (25) às 4h de 26 de outubro.
O aeroporto internacional Arturo Merino Benítez, em Santiago, opera normalmente.
Mas, como a oferta de transfers e táxis está se restabelecendo, o tempo de viagem pode sofrer alteração. Assim, é aconselhado sair com antecedência extra para ir ao aeroporto.
Na sexta (25) o Congresso Nacional do Chile, localizado em Valparaíso, foi esvaziado em medida preventiva devido às manifestações e aos confrontos com a polícia que ocorriam do lado de fora.
As manifestações começaram na semana passada motivadas por um aumento de 3,75% no valor da tarifa de metrô e ganharam força a partir da última sexta (18).
O presidente do país, Sebastián Piñera, tentou voltar atrás e cancelar o aumento, mas a medida não conteve a onda de protestos e um estado de emergência foi decretado.
Os atos ganharam força e as reivindicações aumentaram, com críticas ao governo, ao sistema de aposentadoria, ao aumento da desigualdade e à falta de serviços públicos.
Ao menos 19 pessoas morreram em decorrência dos protestos e 6.000 pessoas foram detidas.
Cargos à disposição
Em pronunciamento transmitido via redes sociais neste sábado (26), o presidente do Chile, Sebastián Piñera, disse que pediu a todos os ministros de seu governo que coloquem seus cargos à disposição para “poder estruturar um novo gabinete e enfrentar as novas demandas [da população]”.
Ainda que não tenha dado detalhes da mudança, um documento obtido pela agência de notícias Reuters sugere que o mandatário pretende substituir os chefes de pelo menos nove ministérios, incluindo os de Defesa, Economia, Transporte, Meio Ambiente e Interior, cujo titular é Andrés Chadwick, primo de Piñera e alvo de ativistas devido a sua atuação para frear os protestos, repelidos com violência pela polícia.
Durante o comunicado, feito no Palácio de La Moneda, sede da Presidência, em Santiago, o líder chileno afirmou que pretende encerrar neste domingo (27) o estado de emergência decretado no país, se “as circunstâncias permitirem”.
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