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Tecnologia Twitter chega aos 15 anos tentando se reinventar, mas seu sucesso está em xeque

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Rede social tenta acrescentar novos recursos para se manter relevante. (Foto: Reprodução)

“Estou apenas configurando meu Twitter”, tuitou Jack Dorsey, fundador da empresa, em 21 de março de 2006. Embora inocente, o primeiro tuíte da história sintetizava bem o espírito do serviço nos anos seguintes: uma ferramenta para publicações curtas e eficientes sobre assuntos do momento, mesmo que esses temas sejam extremamente pessoais. Ao atingir 15 anos no ar, porém, a empresa tenta se reinventar.

Com a forte concorrência de outras redes sociais, o Twitter vem rascunhando e lançando novas ferramentas para manter o frescor da primeira década e meia. É um processo que parece empolgante, mas especialistas questionam se isso será suficiente para manter o passarinho azul voando.

Na última semana, a rede social deixou vazar o que deve ser a principal novidade da plataforma em anos: o Twitter Blue, um serviço de assinatura que terá ferramentas exclusivas como editar tuítes já publicados, pastas para guardar publicações por temas, mudança de cor da plataforma (azul, vermelho, amarelo, roxo, laranja e verde) e um modo de leitura para reunir em um só texto longos fios de tuítes (ou threads). O preço? R$ 15,90 no Brasil (ou US$ 2,99 nos Estados Unidos).

Antes disso, no início do mês, o Twitter lançou os Espaços, o tão aguardado recurso “inspirado” nas salas de áudio do Clubhouse — a rede social exclusiva que bombou no início deste ano, mas que vem perdendo fôlego. A chegada do Twitter dá um chacoalhão no mercado porque é a primeira grande empresa a lançar sua solução depois do rival (Facebook, por exemplo, também desenvolve algo parecido para não ficar atrás dos concorrentes) e porque, ao contrário do adversário recém-chegado, já existe um público estabelecido na plataforma. Agora, as pessoas podem falar da CPI da Covid em salas de voz e em tempo real, por exemplo.

Recentemente, a empresa finalizou a compra da Scroll, plataforma de notícias para assinar e ler notícias de portais como Insider, BuzzFeed e USA Today sem anúncios (espécie de streaming de notícias). Além dela , o Twitter comprou a Revue para tentar construir um sistema de newsletter. O ritmo de compras da empresa em 2021 indica que algo acontece nas entranhas do mundo de Jack Dorsey. Foram seis aquisições até agora, maior número desde 2015, quando a rede social abocanhou oito startups. Nas últimas semanas, já é possível dar “gorjetas” para as contas favoritas.

A ferramenta recente que teve maior adesão até agora foi inspirada na concorrência: os “fleets”, inspirados nos “snaps” curtos e autodeletáveis do Snapchat (que seriam copiados pelo Instagram, onde ficaria mais conhecido pelos “stories”). O problema é que os fleets são excessivamente longos para uma rede social tão conhecida pela instantaneidade.

“A pergunta que fica é: qual é a essência da plataforma hoje em dia? O que ela consegue inovar dentro desse ‘what’s happening’?”, reflete Gustavo Daudt Fischer, professor do programa de pós-graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

O grande desafio de todas essas novidades é não só reter a fiel base da plataforma, mas também atrair novos usuários, o principal calcanhar de Aquiles do Twitter nos últimos anos, e aumentar as fontes de receitas.

É algo com o qual o mercado financeiro parece concordar. No último balanço da empresa, referente ao primeiro trimestre deste ano, as ações da companhia despencaram 10% após o fim do pregão, quando o Twitter desapontou os investidores e revelou um crescimento abaixo da expectativa, de 7 milhões de usuários monetizáveis diariamente ativos na plataforma — a principal métrica para analisar o sucesso de uma rede social. No total, a plataforma somou até março de 2021 um total de 199 milhões de usuários, abaixo dos 200 milhões esperados pelo mercado.

O CEO da Socialbakers acrescenta que, ao contrário de outras redes sociais, o Twitter não está focando em turbinar a comercialização dentro da plataforma, como faz o Grupo Facebook, que incentiva compras por meio de publicidade e páginas próprias para vendedores em suas redes. “Ainda não estamos ouvindo isso do Twitter e o mercado espera algo maior do que esses aperfeiçoamentos”, diz Yuval Ben-Itzhak.

O diretor acadêmico da escola Digital House, Edney Souza, aponta que nem todas as novidades anunciadas e projetadas podem funcionar. Para ele, os Espaços podem não atrair novos usuários, mas o projeto de gorjetas tem potencial de fisgar influenciadores digitais de plataformas como Instagram. Como efeito prático, a publicidade digital acompanha esses perfis que trazem consigo prestígio e milhões de seguidores.

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