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Carlos Roberto Schwartsmann Uberização da medicina

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

O programa governamental “mais médicos” produziu uma proliferação inimaginável de novas faculdades de medicina.

Até o ano 2000 eram menos que 100, atualmente são mais de 500.

Noventa por cento das novas escolas são privadas.

As mensalidades são caras e podem atingir R$ 15.000.

Se tornou um grande negócio que movimenta bilhões.

Somente um grupo de investidores possui no Brasil 30 escolas.

Sob críticas, e percebendo a nova duvidosa formação médica no país, o governo introduziu o ENAMED (exame nacional de avaliação da formação médica).

Dos 351 cursos avaliados 107 obtiveram notas 1 e 2.

Ficaram distantes de uma boa avaliação. Apenas 49 obtiveram a nota máxima que é cinco.

Dos 39258 alunos avaliados apenas 67% obtiveram desempenho adequado.

Este é um exame teórico e todos nós sabemos que o exercício da medicina é extremamente prático sedimentado na convivência da relação médico paciente.

A associação médica brasileira (AMB) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) defendem a criação de um exame nacional de proficiência como pré-requisito para o exercício da medicina, igual a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Dos 80 mil formandos anuais serão oferecidos segundo o ENADE em 2025, 7197 vagas de residência. Isto indica que menos de 10% tem oportunidade de fazer residência médica e se especializar.

A colocação no mercado de trabalho de profissionais pouco qualificados traz um risco muito grande a saúde da população.

Ainda, a ideia de levar mais medicina ao interior do Brasil não foi alcançada, pois estudos recentes mostram que 80% dos novos médicos permanecem ainda nas grandes cidades e capitais.

Na interiorização do médico não é apenas o salário que conta. É necessário condições boas e adequadas para o trabalho se tornar eficaz: boa enfermagem, laboratórios, clínicas de imagem e leitos de internação etc.

Ainda, o médico não se desloca sozinho pois leva junto a sua família.

Há necessidade de ambiente sociocultural, no mínimo receptível.

Recente artigo publicado em São Paulo aborda o processo de saturação de novos médicos na capital. Os recém-formados estão com dificuldade de encontrar emprego e se submetem a plantões com remunerações vergonhosas e exploradoras.

Ao ingressar no mercado de trabalho, com formação incompleta e pouca experiência o jovem médico, incapacitado de solucionar as queixas do paciente, perde a confiança e a autoestima.

Se não possuir um perfil com equilíbrio emocional e mental para enfrentar este novo cenário, rapidamente será alvo de frustração, desilusão, ansiedade e depressão.

Este desânimo poderá ser incrementado ainda mais por falta de apoio familiar.

Estudo do Enade (Instituto nacional de Estudos e Pesquisas) conclui que mais de 90% dos seis anos de medicina é patrocinada pela família (mensalidades, moradia, comida, material de estudos etc.)

Este ambiente se torna rapidamente contaminado, quando a família percebe que o prometido sucesso profissional e financeiro não foi concretizado depois de um investimento grande de tempo e dinheiro.

É comum médicos trabalharem em vários hospitais e clínicas para complementar a renda.

Os motoristas de Uber geralmente aceitam trabalhar no aplicativo pelo mesmo motivo!!

Devido a situação falimentar da medicina, muito em breve, veremos médicos na direção do Uber também!

(Carlos Roberto Schwartsmann – médico e professor universitário)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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