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Brasil Um dos quadros mais valiosos da arte brasileira voltou ao País: Abaporu

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Uma figura de formas desproporcionais, em uma paisagem de cores brasileiras, com um sol cortante, Abaporu é um fenômeno mundial. (Foto: Divulgação)

Um dos quadros mais importantes e valiosos da arte brasileira voltou ao País e faz parte de uma exposição que começou na sexta-feira (05), no Masp (Museu de Arte de São Paulo), para celebrar a obra de Tarsila do Amaral.

A artista vendeu a tela Abaporu sonhando em exibi-la no Masp. Mas só na semana passada, 91 anos depois, a obra encontrou o público do museu. A obra agora pertence a uma instituição de Buenos Aires, na Argentina.

“Ela tinha muita esperança que esse quadro viesse parar aqui. E agora esse sonho está sendo realizado”, contou Tarsilinha do Amaral, sobrinha-neta da artista.

“É orgulho, né? De ser arte brasileira. Da Tarsila, uma mulher, brasileira. Eu acho muito incrível isso”, vibrou a estudante Lorys Pascoal.

Uma figura de formas desproporcionais, em uma paisagem de cores brasileiras, com um sol cortante, Abaporu atualmente é um fenômeno mundial. Uma história que começou com um presente de aniversário de Tarsila do Amaral para o então marido Oswald De Andrade, em 1928. Mais do que uma tela, foi inspiração para o movimento antropofágico.

“Aba”, homem; “Poru”, que come gente. A expressão em tupi-guarani representava o desejo de deglutir a cultura europeia, misturar nossas raízes africanas e indígenas e criar uma arte nacional.

“As cores são muito vivas e ela retratou coisas muito diferentes do Brasil, na visão dela”, disse a estudante Tayná Ferreira. A floresta, os bichos, os devaneios, a solidão depois da separação. A exposição Tarsila Popular reúne 92 obras de todas as fases da pintora.

De uma família rica do interior de São Paulo, Tarsila cresceu em uma fazenda com plantação de café. A posição do braço une o autorretrato à figura de uma ama-de-leite do Brasil escravo, que se tornou um marco da pintura modernista.

“O pintor, o artista não pode se separar do povo, então isso aí é o que mais me chamou a atenção. E ela retrata isso muito bem”, afirmou a professora Tita Redmond. “É uma brasilidade muito carregada, muito forte, muito presente”, opinou o engenheiro Álvaro Abreu.

“Não eram cores típicas de uma boa pintura moderna, nos anos 20. Então, ela traz isso, algo que ela traz das viagens e da vivência dela no Brasil, no interior do Brasil”, explica Adriano Pedrosa, diretor artístico do Masp.

Com obras avaliadas em milhões de dólares, Tarsila virou “pop” 45 anos depois de morrer. Em uma das suas temporadas em Paris, na França, ela escreveu: “Sinto-me cada vez mais brasileira. Quero ser a pintora da minha terra”.

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