Quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 9 de maio de 2018
O ex-ministro Gilberto Carvalho, chefe de gabinete nos dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou ao juiz Sérgio Moro nesta quarta (9) que o empresário Fernando Bittar emprestou o sítio de Atibaia (SP) para a família de Lula.
Gilberto Carvalho foi arrolado como testemunha de defesa de Marcelo Odebrecht e de Lula na ação em que o Ministério Público Federal acusa o ex-presidente de ser o verdadeiro dono do sítio e de ter se beneficiado em mais de R$ 1 milhão em benfeitorias no imóvel, frequentado pelo petista e seus familiares. As reformas teriam sido pagas pelas empreiteiras OAS e Odebrecht.
A Moro, o ex-ministro disse que tinha o entendimento de que o sítio era de Bittar. “Para mim a chácara era do Fernando, que ofereceu para eles [Lula e sua mulher Marisa].”
Carvalho afirmou que foi a uma festa junina no local, convidado pelo empresário. No dia seguinte, o ex-presidente o teria chamado para dar uma volta na chácara.
Segundo Gilberto Carvalho, Lula relatou durante o passeio que no dia 15 de janeiro de 2011, de férias no Guarujá (SP), Marisa o chamou dizendo que havia uma surpresa. Marisa então teria contado que Fernando Bittar estava oferecendo uma chácara para que eles usassem como quisessem.
O ex-presidente, de acordo com o ex-ministro, disse que o empresário estava disposto a vender o imóvel e que Marisa gostava muito do sítio, mas que estava em dúvida porque achava muito longe e desejava um mais perto da represa Billings.
Gilberto Carvalho também falou sobre a transferência do acervo presidencial para o sítio. “De tudo que eu sei, eles acabaram falando com o Fernando, e o Fernando emprestou aquela chácara para que eles usassem. Era uma intimidade que permitia isso.”
O sindicalista Jacó Bittar, pai de Fernando, assim como Lula, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores.
Sítio de Atibaia
O juiz Sérgio Moro aceitou em agosto de 2017 uma ação contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Lava-Jato, desta vez relativa ao sítio de Atibaia (SP).
O petista é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro no sítio no interior de São Paulo. Segundo a acusação, o ex-presidente se beneficiou de R$ 1,02 milhão em benfeitorias no imóvel, que era frequentado por Lula e seus familiares. As reformas teriam sido pagas pelas empreiteiras Odebrecht e OAS.
Uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo, em janeiro de 2016, revelou que a Odebrecht realizou a maior parte das obras no local, gastando R$ 500 mil apenas em materiais.
Os valores usados nas reformas teriam vindo, segundo a denúncia do Ministério Público, de contratos das empreiteiras na Petrobras, e repassados como vantagem ilícita ao ex-presidente.
Na decisão que acatou a denúncia, Moro destaca que “não há qualquer registro de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha pago qualquer valor por essas reformas realizadas no sítio de Atibaia”.
“Evidentemente, não se trata de conclusão quanto às provas, pois elas estão sujeitas a críticas e ao contraditório”, complementa o juiz. Segundo ele, caberá ao ex-presidente demonstrar se arcou com alguma das despesas, com prova documental, o que poderia fazer “com facilidade” por meio de transferências bancárias e outros documentos.
Para a Procuradoria, o sítio, que está em nome dos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna, pertencia, na realidade, a Lula, “proprietário de fato” do local, e foi comprado em seu benefício.
Entre as provas mencionadas pelos procuradores, estão e-mails enviados a endereços do Instituto Lula que citam cardápios de almoço no sítio e viagens do petista a Atibaia. Um deles fala sobre uma jaguatirica que pode ter comido marrecos do sítio, “em resposta à pergunta do presidente”.
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