Terça-feira, 02 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 14 de dezembro de 2017
Um experimento concebido por estudantes brasileiros do ensino fundamental será enviado no ano que vem à ISS (Estação Espacial Internacional, na sigla em inglês) para ser executado por astronautas. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.
O projeto foi escolhido por meio de um concurso. Participaram da disputa 72 equipes formadas por alunos de 12 a 14 anos do Colégio Dante Alighieri e de escolas públicas de São Paulo.
A competição científica faz parte do Programa de Experimentos Espaciais para Estudantes, ação anual do governo americano em parceria com a Nasa (agência espacial dos EUA) que está em sua 12ª edição. Nunca um país de fora da América do Norte havia participado da iniciativa.
A proposta vencedora busca entender como a microgravidade atua sobre um composto feito de cimento e pó de plástico verde. Será apenas a segunda vez na história que o Brasil envia um experimento para a ISS.
Do início ao fim, o projeto durou nove semanas e envolveu cerca de 330 estudantes paulistanos. Durante esse período, eles aprenderam sobre o espaço, a ausência de gravidade, o método científico, entre outros temas.
“Os professores colocavam um assunto relacionado ao espaço para a reflexão das crianças e depois havia uma discussão entre elas”, diz o engenheiro espacial Lucas Fonseca, diretor da Missão Garatéa, que, junto com a Câmara de Comércio Brasil-Flórida, viabilizou o projeto no Brasil.
Tanto os encontros semanais como a elaboração dos experimentos ocorreram no Dante, parceiro no programa. Desde o início do processo, os jovens foram trazendo ideias do que gostariam de produzir e começaram, em grupos, a escrever os projetos.
“Os mentores não podiam influenciar os projetos. Todas as ideias vieram das crianças, nós só ajudamos a refiná-las”, acrescenta Fonseca.
Segundo o engenheiro espacial, além de ter como objetivo aumentar o interesse dos jovens em assuntos ligados ao espaço, a iniciativa dá uma atenção especial às garotas. “Em pesquisas que fizemos percebemos que é entre os 12 e os 14 que as meninas começam, por diversas razões, a perder interesse na ciência.”
Outra preocupação foi promover a interação entre alunos do ensino público e do ensino privado.
“Todo o processo, desde o anúncio, a inscrição dos projetos e as seletivas, foi uma rica oportunidade para estimularmos o pensamento científico, a criatividade e as atitudes de colaboração e de preocupação com a valorização da ciência e da tecnologia como ferramentas para o desenvolvimento”, diz Sandra Tonidandel, coordenadora-geral pedagógica do Dante Alighieri.
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