Domingo, 24 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 20 de dezembro de 2017
A força-tarefa do MPF (Ministério Público Federal) decidiu apresentar na terça-feira (19) mais uma denúncia à Justiça. Desta vez, o alvo é o gerente do banco suíço BSI, David Muino Sanchez, preso em Curitiba desde novembro.
O caso vem sendo investigado desde a deflagração da 22ª fase da Operação Lava-Jato, em janeiro de 2016. Os procuradores apuram o pagamento de propina a agentes públicos envolvendo a compra de um campo de petróleo em Benin, na África, feita pela Petrobras.
De acordo com a denúncia, Sanchez atuou junto ao banco suíço para abrir empresas offshores, com o objetivo de lavar o dinheiro ilegal. Conforme o MPF, os repasses de valores ilícitos ao banco suíço somaram US$ 21, milhões.
Como funcionava
Como gerente de relacionamento das contas, o banqueiro justificava as transações suspeitas realizadas na conta, inclusive os de potencial prática do crime de lavagem de dinheiro, o que, segundo os procuradores da Lava-Jato, se confirmou posteriormente.
Suarez tinha conhecimento da atividade dos clientes e da origem dos valores, diz o MPF, e participou da gestão dos ativos ilícitos movimentados pelo grupo, assim como dos investimentos realizados na conta.
Conforme os promotores da Lava-Jato, David Muino Suarez “atuou não só na abertura de conta bancárias no banco BSI de Zurique nas quais, como visto, transitaram valores de propinas, mas também na constituição das sociedades offshores em nome das quais foram abertas tais contas, por meio de “parceria” com o escritório Mossack Fonseca, especializado neste tipo de atividade”.
Um e-mail encaminhado para Maria Mercedes Quijano, chefe da Mossack Fonseca no Brasil, obtido pelo MPF após quebra de sigilo de dados, indicou que Suarez tinha 27 sociedades ativas com o escritório.
“Conclui-se, portanto, que o gerente bancário David Muino Suarez atuou em todos os ciclos da lavagem de dinheiro investigada especialmente no caso de Benin e possivelmente também em outros casos relacionados à Operação Lava-Jato”, pontuaram os procuradores na época da denúncia.
Outras denúncias
Esta não é a primeira vez que esse caso do campo de petróleo africano chega à Lava-Jato. Pelo menos outros três processos já receberam sentenças. Numa delas, o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB) acabou condenado a 15 anos e quatro meses de prisão, por ter recebido cerca de US$ 1,5 milhão, pelo negócio.
Conforme o MPF, a investigação foi possível graças à ajuda internacional. Além das provas obtidas na 22ª fase da Lava-Jato, batizada de Triplo X, os procuradores também tiveram acesso a dados da empresa Mossack Fonseca, que foi alvo de uma operação no Panamá, cujo escândalo ficou conhecido como “Panamá Papers”.
Com base nesses documentos, os procuradores pediram a prisão de Sanchez no início de outubro. Porém, ele só foi detido no dia 27 de novembro, após voltar da Suíça. Segundo o MPF, ele segue detido na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.
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