Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 14 de julho de 2018
Durante um café da manhã com jornalistas, na manhã de sexta-feira (13), o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, defendeu que os partidos aliados do governo que quiserem apoiar Ciro Gomes, pré-candidato do PDT à Presidência da República, devem deixar seus cargos no governo.
“Eu, sinceramente, espero que os partidos que apoiarem o Ciro Gomes deixem o governo. Também penso que estão equivocadas as lideranças dos partidos que estão no governo quando aceitam a hipótese de apoiar Ciro Gomes”, afirmou o ministro.
Marun se referia ao chamado “blocão”, composto pelos partidos DEM, PP, Solidariedade e PRB, que vem debatendo uma possível união para a campanha à Presidência da República. No grupo há uma divisão entre Ciro e Geraldo Alckmin (PSDB).
O ministro criticou o candidato pedetista e classificou como “hipócrita” a tentativa de Ciro de buscar aliança com partidos governistas:
“É uma completa hipocrisia do candidato Ciro ao buscar o apoio de partidos que estão no governo para a sua candidatura, naquela ideia de ‘ganhar de qualquer jeito’ para depois ver o que vai fazer. Se ele busca partidos que não têm nada a ver com as suas propostas, isso é a volta daquela política oportunista, daquela política pragmática, negocial, que ele diz que não defende. Então eu acho que o simples fato do candidato estar procurando os partidos que estão no governo é uma demonstração da sua completa inaptidão para o exercício da função”, disse.
Perguntado se o governo poderia demitir quadros dos partidos aliados que apoiassem Ciro, o ministro foi evasivo:
“Não sei. Cada dia, uma agonia”, declarou Marun.
Marun negou que estivesse exigindo aos aliados que votassem no ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, pré-candidato à Presidência pelo MDB, partido do presidente Michel Temer e disse esperar que os aliados não subam em palanques para dizer que o governo fez algo errado:
“Só espero que eles não subam no palanque para dizer que é errado o que nós fizemos. Não cabe uma aliança entre partidos que foram completamente contrários ao impeachment, a reforma Trabalhista, não cabe uma aliança, pelo menos no primeiro turno”, disse.
O ministro da Secretaria de Governo foi questionado ainda se o “recado” também valia para o PR, partido aliado que cogita apoiar o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), pré-candidato à Presidência. Marun disse que torcia para que Bolsonaro não vencesse as eleições e que a única coisa em comum que tinham é que ele tinha votado a favor do impeachment, embora tivesse feito, segundo Marun, um “voto desastrado” – se referindo ao fato de Bolsonaro ter homenageado o coronel Carlos Brilhante Ustra, reconhecido como torturador no período da ditadura militar.
“O Bolsonaro também é um candidato que eu torço para não vencer a eleição. A única coisa que tem é que ele votou a favor do impeachment, um voto até desastrado nas suas palavras. Mas pelo menos ele não começa nos chamando de golpista”, concluiu o ministro Marun.
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