Quinta-feira, 02 de Abril de 2020

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CAD1 Um pen drive foi a pista para a Polícia Federal pegar Cândido Vaccarezza

Vaccarezza foi preso nessa sexta-feira, em São Paulo, por ordem do juiz Sérgio Moro. (Foto: Reprodução)

Em um pen drive encontrado na residência do almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear condenado na Operação Lava-Jato por corrupção, a PF (Polícia Federal) identificou mensagens que apontaram para um esquema de propinas envolvendo o ex-líder dos governos Lula e Dilma na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (ex-PT/SP).

O dispositivo eletrônico  contém diversos arquivos. Um deles é o armazenamento de mensagens de email de Vaccarezza.

A investigação revela que o pen drive foi deixado em poder do almirante pelo executivo Bruno Luz, filho do lobista Jorge Luz, ambos apontados como operadores de propinas do PMDB. Os policiais ainda não sabem o motivo de Bruno ter levado a mídia eletrônica para o ex-presidente da Eletronuclear.

Vaccarezza foi preso nessa sexta-feira, em São Paulo, por ordem do juiz federal Sérgio Moro, na Operação Abate, nova etapa da Lava-Jato. O ex-petista está sob suspeita de ter recebido pelo menos 500 mil dólares em propinas.

Pela quebra do sigilo telemático dos endereços eletrônicos de Vaccarezza foram ainda colhidos ‘elementos probatórios’ que indicam que o então parlamentar exercia influência em negócios da Petrobras.

Por exemplo, uma troca de mensagens entre o ex-petista com Fernando Paes de Carvalho, então gerente de Gabinete da Presidência da Petrobras, ‘para introduzir pessoa interessada em negócios com a Petrobras’.

Em uma outra mensagem, também destinada a Carvalho, o ex-líder de Lula e Dilma indica pessoa para o cargo de gerente-geral para o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Os investigadores encontraram mensagem enviada a Vaccarezza por empresários da área do petróleo, solicitando intermediação de encontros com dirigentes da Petrobras.

Também diversas mensagens a ele enviadas relativamente à sua interferência em negócios da estatal.

A investigação mostra que o ex-líder de Lula e Dilma agia inclusive para nomeação e manutenção de pessoas para cargos de gerência na estatal.

“Chama a atenção pleito de empregado da Petrobras ao então parlamentar para que os cargos fossem ocupados com pessoas dispostas a defender o então Governo e o Partido dos Trabalhadores e para que fossem afastadas pessoas a eles não simpatizantes, ou seja, solicitação para a ocupação de cargos por critérios político partidários”, destaca o juiz Sérgio Moro.

No exame do pendrive, autorizado por Moro, foram identificadas também mensagens eletrônicas impressas em formato PDF a partir de outro endereço eletrônico.

“As mensagens, em língua portuguesa, tratam de fatos ocorridos no Brasil, o que indica que o endereço eletrônico era utilizado por pessoas no Brasil”, assinala Moro.

A pedido do Ministério Público Federal, por decisão de 11 de abril de 2017, foi levantado o sigilo do conteúdo armazenado no pen drive. Os peritos constataram que a maior parte teria sido apagada, pois localizadas somente cinco mensagens.

A perícia no pen drive revela que um grupo utilizava esse e-mail para se comunicar mediante mensagens escritas e armazenadas na pasta ‘rascunho’, sem que fossem enviadas.

Entre os usuários do endereço estava Bruno Luz, identificado pela sigla ‘BL’.

Outro conteúdo do pen drive aponta para Vaccarezza e ‘outros negócios’ supostamente intermediados por Jorge Luz e seu filho Bruno, inclusive um contrato de fornecimento de asfalto.

Defesa
“A defesa de Cândido Vaccarezza, por meio do advogado Marcellus Ferreira Pinto, esclarece, em nota, que: Cândido Vaccarezza nunca intermediou qualquer tipo de negociação entre empresas privadas e a Petrobras. A prisão foi decretada com base em delações contraditórias, algumas já retificadas pelos próprios delatores. A busca e apreensão excedeu os limites da decisão judicial, confiscando valores declarados no imposto de renda e objetos pertencentes a terceiros sem vínculo com a investigação. A defesa se manifestará nos autos e espera que a prisão seja revogada e as demais ilegalidades corrigidas!”

Conforme o PT, “Vaccarezza foi militante e parlamentar do PT, saiu do Partido por divergências políticas, um direito de qualquer pessoa. O partido não tem informações sobre esse processo. Esperamos que ele tenha oportunidade de se defender e esclarecer as acusações”.

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